Translate

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Mitologia – Mitos (Sonhos Coletivos)



         Mitologia – Mitos (Sonhos Coletivos)


   Segundo Jung “os mitos são principalmente fenômenos psíquicos que revelam a própria natureza da psique”. Os mitos condensam experiências vividas repetidamente durante milênios, experiências típicas pelas quais passaram (e ainda passam) os seres humanos. Por isso temas idênticos são encontrados nos lugares mais distantes e mais diversos. A partir desses materiais básicos é que sacerdotes e poetas elaboram os mitos, segundo as épocas e culturas. (Nise da Siveira – Jung Vida e Obra).

Amor e Relacionamentos – Na Visão dos Mitos   

   O amor, como dizem, faz o mundo girar. A quantidade de mitos que falam de paixão e repulsa, casamento e separação, amor e rivalidade, fidelidade e infidelidade sexuais e do poder transcendental da compaixão sublinha a importância central do amor em nossa vida. Não há variação em torno do tema dos relacionamentos que não se possa encontrar na mitologia mundial. E, por serem muitos complexas as relações humanas, a moral apresentada nos mitos é igualmente multifacetada. Não há enigma maior do que o mistério de por que as pessoas se atraem ou se repelem, e é comum buscarmos respostas simples para perguntas um enorme esforço da alma até para serem adequadamente formuladas. Os amores e desgostos dos mitos aparecem sob muitas formas e cores, e alguns são claramente insólitos. Mas, ainda que algumas dessas histórias questionem muitos de nossos pressupostos morais sobre os relacionamentos, os mitos relativos ao amor também nos consolam de nossa infelicidade, servem de guia para nossos dilemas e trazem um discernimento duramente necessário sobre as razões pelas quais, em nossa vida pessoal, às vezes criamos os dilemas que criamos, ou que vivemos.

Paixão e Rejeição

   A paixão sexual é retratada na mitologia como uma força mais poderosa que qualquer outra, capaz de levar homens e deuses a atos que contrariam sua vontade e não raro terminam em tragédia. Os gregos atribuíam tal paixão à obra da deusa Afrodite, que apesar de atormentar homens e mulheres com paixões incontroláveis, era capaz de levar a loucura e a destruição aos que a ofendessem. Mas a paixão em si não é retratada como uma força negativa ou imoral: está aliada à força, à coragem, à potência sexual e à reação da alma à beleza; reflete o poder e a tenacidade da própria força vital; e, por ser inspirada pelos deuses, é sagrada. A mitologia nos ensina que o modo como os mortais seguem suas paixões e o grau em que a paixão domina a consciência é que são as verdadeiras fontes de sofrimento, da rejeição e até da catástrofe.

Liz Greene@Juliet Sharman-Burke – Uma Viagem através dos Mitos