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segunda-feira, 20 de abril de 2015

Lua Nova em Touro

              Lua Nova em Touro

                   20 de abril de 2015

   Sol, Lua, Mercúrio e Marte em Touro em trígono com Plutão em Capricórnio. Os signos do elemento Terra, Touro, Virgem e Capricórnio, foram classificados por Platão como escuridão, densidade e imobilidade e tem que encarar o desafio de enfrentar os estímulos energéticos do mundo ao redor.
    Na Terra estão contidas as sementes, as virtudes germinativas de todas as coisas e, portanto a Terra é animal, vegetal e mineral.  Fertilizada pelos outros elementos e pelo Céu, a Terra faz nascer à abundância e todas as coisas, encerra  grandes segredos.
   Nesta Lua Nova, senhora de todos os inícios, do fortalecimento das raízes, podemos dar início a um projeto existencial que nos traga estabilidade e segurança, desde que aliado as restrições que Saturno em Sagitário que nos cobra ética e evolução atraves do conhecimento e espiritualidade. Podemos fazer as fundações de novos valores e noção de que a segurança está ligada a auto estima e nossas bases de  crenças e compreenção dos direitos e deveres, coletivo e individual.
   Na casa onde temos Touro estará esta fundação. Será regida pela Vênus que está em Gêmeos, trocar idéias, buscar entendimento, expressar idéias e opiniões, debater conceitos e encontrar novas possibilidades para resolver questões emperradas e que até o momento não conseguimos solucionar. Esta Vênus beneficia as idéias alternativas e a multiplicação das soluções possíveis para velhos problemas.

   As 20:29hs de hoje, 20 de abril de 2015 a Lua entra em Gêmeos fazendo conjunção com a Vênus, possibilitando uma conecção emocional com os valores, idéias e prazeres da mudança, que Urano em Áries vem apontando e que Plutão em Capricórnio nos empurra a executar.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Mercúrio em Touro

              Mercúrio em Touro

   No mapa astral, Mercúrio indica como processamos as informações que recebemos, revela o funcionamento do nosso raciocínio concreto e capacidade de codificar e decodificar as experiências. Através desse planeta identificamos o abstrato, no signo que se encontra aponta a forma como aprendemos. Ele é o principal ponto de referência sobre a capacidade intelectual.
   Mercúrio nunca fica a mais de 28 graus de distância do Sol, por isto nunca aparece no céu à noite, só se apresentando de forma visível um pouco depois do pôr-do-sol e um pouco antes do amanhecer. Quando posicionado no mesmo signo que o Sol, ele vai reforçar ainda mais a expressão daquele signo. No mapa astral podemos encontrá-lo dois signos a frente, dois atrás ou no mesmo signo do Sol. Com o Sol em Touro Mercúrio estará em Peixes, Áries, Touro, Gêmeos ou Câncer.
   Neste 14 de abril até 01 de maio de 2015 Mercúrio inicia seu trânsito anual por Touro, encontra Marte também neste signo, formam uma poderosa interação entre comunicação e ação, mente e iniciativa em signo fixo, feminino e do elemento Terra.
   Touro é o signo da semente, base, início de tudo que queremos que desabroche na primavera. É tempo de cultivar e regar. A Terra representa o lado visível da vida ou a manifestação concreta de tudo o que germina no mundo das idéias, mediante a ação concreta. Esse elemento ativa nossa energia interna para a realização e para a ação. Seu significado está relacionado ao nosso corpo e a tudo mais do mundo material. É representado pela cruz, que é o símbolo da materialização da essência divina. Os Gnomos são elementais que governam o elemento Terra, segundo os ocultistas.
   Os signos fixos são Touro, regido pela Vênus, Leão, regido pelo Sol, Escorpião, regido por Plutão e Aquário, regido por Urano. Touro demora a mudar e exemplifica os aspectos férteis da primavera. Leão é o mais estável dos signos de fogo, caracteriza o calor e o poder gerador do verão. Escorpião imprime sua marca nos aspectos sensuais do outono e seu regente Plutão simboliza a escuridão e a morte do verde da natureza. O quarto signo Fixo, Aquário, terceiro signo do elemento Ar e originalmente regido por Saturno, nos tempos modernos por Urano, simboliza o pensamento universal e a fria indiferença do inverno.
   Quem tem ênfase em signos fixos não mudam com facilidade, possuem consciência do seu espaço e sabe o que lhes pertence, provável terem uma boa noção de quem são e do que desejam. Como são autoconfiantes, resistem a todo o tipo de dominação e, podem rebelar-se quando lhes é destinado um papel subordinado. Basicamente, pedem para serem deixadas em paz. Por outro lado, são perfeitamente capazes de exercerem influência, até mesmo domínio, sobre os demais. As pessoas de signos fixos sentem-se muito mal quando atormentadas pela instabilidade emocional.
   Mercúrio e Marte em Touro em harmonia (trígono) com Plutão em Capricórnio, signo da Terra, Cardinal e Yin, apontam um ciclo em que estamos gerando mudanças profundas, curas e extirpações necessárias, como a retirada do inço que cresce junto às plantas, tirando sua força e viço. As dores necessárias, tomadas de decisões muito difíceis, buscar ajuda quando perceber que não conseguimos sós. Mente e ação em desarmonia (quadratura) com Júpiter em Leão que sinaliza evolução das identidades, potencializa as individualidades, a desmassificação dos indivíduos e o direito de cada um ser único, especial e socialmente integrado dentro das suas diferenças e direitos. Vamos precisar perserverar para atingir nossos objetivos, lentidão e atrasos. Ter confiaça e muita resistência. Força e auto confiança serão nossas principais armas.
   Quem nasce com Mercúrio em Touro, signo de Terra, Fixo e Feminino/Yin, é dotado de bom senso e cautela, aprecia a calma, pensa devagar e gosta de ponderar bem as idéias antes de se decidir. Teimoso, tem uma certa dificuldade em assimilar conceitos abstratos, podendo se deixar levar pelo dogmatismo.
Graças à sua força de vontade concentrada, acaba conseguindo tudo o que quer. Tem uma persistência ilimitada para alcançar os seus objetivos e acaba se revelando indispensável através de um trabalho cuidadoso e metódico. Precisa de um ambiente profissional bem organizado e o que mais detesta é ver a sua rotina alterada.
   Sua mente funciona em harmonia com os cinco sentidos e tem um senso inato do valor material das coisas. Regido por Vênus nas suas funções mentais, costuma avaliar muito bem as questões financeiras e tudo o que se refere à segurança material. Tem muito senso para os negócios e pode se dividir entre ganhar a vida de forma segura e estável financeiramente, ou através de uma atividade artística e estética. A influência da deusa das artes lhe confere um dom especial para a música e costumam ter uma bela voz.

domingo, 12 de abril de 2015

Vênus em Gêmeos

              Vênus em Gêmeos

    Vênus o planeta do feminino, dos valores, amor e beleza inicia seu trânsito por Gêmeos no dia 11 de abril a 07 de maio de 2015, favorecendo a leveza, a amizade e a jovialidade. Podemos estar facilmente envolvidos por belas palavras e toda a sorte de novidades.
   Movimentar os relacionamentos, não deixar que a monotonia e as repetições se instaurem nas relações em geral, namoros, casamentos, sociedades e até procurar variar métodos estabelecidos, buscando alternativas criativas e mais flexíveis.
   Nada que exija disciplina, concentração e objetividade terão valor ou proporcionará prazer a esta Vênus galanteadora, volúvel e emocionalmente distante. O maior desejo é o que trás diversão e alegria entre as pessoas e nas situações.
   Quem tem a Vênus em Gêmeos precisa de estímulos intelectuais e se expressar nos relacionamentos. Explica e racionaliza o amor, expressa constantemente o que sente.
   Pessoas refinadas e criativas perdem o interesse quando o parceiro for caseiro ou grosseiro. O amor geminiano precisa ser estimulante intelectualmente, divertido e pode parecer muito superficial por essa razão, não é difícil encontrar geminianos envolvidos com mais de um parceiro ao mesmo tempo.
   Este posicionamento da Deusa do Amor e da Beleza não saber lidar com emoções fortes, pois são pessoas muito racionais. Provável que fuja de relações muito intensas, preferindo pretendentes que deixem sua vida mais livre.
   Em Gêmeos, a sexualidade é vivida de forma mental, ou seja, tem fascinação por pessoas bem-humoradas, que transformam o sexo em uma inteligente e divertida brincadeira. Sentem atração por pessoas que pareçam curiosas ou irradie algo de diferente ou exótico na personalidade. Para que suas relações funcionem precisam sentir que o outro lhe oferece espaço e liberdade. Caso contrário poderá partir para outra relação rapidamente.
   Em tempos de Vênus em Gêmeos trocar idéias, buscar entendimento, expressar idéias e opiniões, debater conceitos e encontrar novas possibilidades para resolver questões emperradas e que até o momento não conseguimos solucionar. Esta Vênus beneficia as idéias alternativas e a multiplicação das soluções possíveis para velhos problemas.
   Classificada como pouco apaixonada, aparentemente por Gêmeos ser regido pelo andrógino Mercúrio, que de alguma forma dilui a sensualidade. Inteligente, brincalhão e coquete seduz pelo raciocínio ágil, vivo, divertido e alegre.
Gêmeos é o signo sedutor do zodíaco que conquista pela conversa animada, tem aquela "cantada" irresistível. Essa Vênus geminiana tem muitas histórias para contar, porém nada dramática repudia a possessividade e rotinas.
   Charmosa, volúvel e emocionalmente distante, a Vênus em Gêmeos ama e deixa de amar com facilidade, preferindo parceiros intelectuais e intensos.
   São generoso, amistoso e desprendido, gosta e precisa de muita liberdade. Tem muitas ocupações ao mesmo tempo, todas ligadas á beleza e ao prazer, voltadas para o sexo direta e indiretamente. A natureza é curiosa e dá vontade de experimentar tudo o que a vida tem a oferecer, o que costuma ser um risco.    Falta principalmente constância nos empreendimentos e envolvimentos.
   Galanteadores, despreocupados e inofensivos, os que têm a Vênus em Gêmeos são, em geral, populares. Porém quando confrontados em situações difíceis, podem ser traiçoeiros e mentirosos e inconstantes, ainda que encantadoramente ingênuos, eles são facilmente perdoados. Apreciam conversar e se comunicar festivamente.


Imagem: Deusa Durga, encarnação do feminino e da energia criativa (Shakti).

sábado, 4 de abril de 2015

As Origens da Páscoa

            As Origens da Páscoa

   
   Muito antes de ser considerada a festa da ressurreição de Cristo, a Páscoa anunciava o fim do inverno e a chegada da primavera.
A Páscoa sempre representou a passagem de um tempo de trevas para outro de luzes, isto muito antes de ser considerada uma das principais festas da cristandade. A palavra "páscoa" – do hebreu "peschad", em grego "paskha" e latim "pache" – significa "passagem", uma transição anunciada pelo equinócio de primavera (ou vernal), que no hemisfério norte ocorre a 20 ou 21 de março e, no sul, em 22 ou 23 de setembro.
   De fato, para entender o significado da Páscoa cristã, é necessário voltar para a Idade Média e lembrar dos antigos povos pagãos europeus que, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Esther – em inglês, Easter quer dizer Páscoa.
   Ostera (ou Ostara) é a Deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Persephone. Na mitologia romana, é Ceres.
   Os pássaros estão cantando, as árvores estão brotando. Surge o delicado amarelo do Sol e o encantador verde das matas.
   A celebração de Ostara comemora a fertilidade, um tradicional e antigo festival pagão que celebra o evento sazonal equivalente ao Equinócio da primavera.
   Algumas das tradições e rituais que envolvem Ostara incluem fogos de artifícios, ovos, flores e coelho.
   Ostara representa o renascimento da terra, muitos de seus rituais e símbolos estão relacionados à fertilidade. Ela é o equilíbrio quando a fertilidade chega depois do inverno. É o período que a luz do dia e da noite têm a mesma duração. Ostara é o espelho da beleza da natureza, a renovação do espírito e da mente. Seu rosto muda a cada toque suave do vento. Gosta de observar os animais recém-nascidos saindo detrás das árvores distantes, deixando seu espírito se renovar.
   Ostara foi cristianizada como a maior parte dos antigos deuses pagãos.
Os símbolos tradicionais da Páscoa vêm de Ostara. Os ovos, símbolo da fertilidade, eram pintados com símbolos mágicos ou de ouro, eram enterrados ou lançados ao fogo como oferta aos deuses. É o Ovo Cósmico da vida, a fertilidade da Mãe Terra.
   Ostara gosta de verde e amarelo, cores da natureza e do sol.
O Domingo de Páscoa é determinado pelo antigo sistema de calendário lunar, que coloca o feriado no primeiro Domingo após a primeira lua cheia ou seguindo o equinócio.
   A Páscoa foi nomeada pelo deus Saxão da fertilidade Eostre, que acompanha o festival de Ostara como um coelho, por esta razão, o símbolo do coelho de páscoa na tradição cristã. O coelho é também um símbolo de fertilidade e da fortuna.
   A Páscoa foi adaptada e renomeada pelos cristãos, do feriado pagão Festival de Ostara, da maneira que melhor lhe convinha na época assim como a tradição dos símbolos do Ovo e do Coelho.
   A data cristã foi fixada durante o Concílio de Nicéa, em 325 d.C., como sendo "o primeiro Domingo após a primeira Lua Cheia que ocorre após ou no equinócio da primavera boreal, adotado como sendo 21 de março.
A festa da Páscoa passou a ser uma festa cristã após a última ceia de Jesus com os apóstolos, na Quinta-feira santa. Os fiéis cristãos celebram a ressurreição de Cristo e sua elevação ao céu. As imagens deste momento são a morte de Jesus na cruz e a sua aparição. A celebração sempre começa na Quarta-feira de cinzas e termina no Domingo de Páscoa: é a chamada semana santa.


O significado da Páscoa

   A Páscoa é uma festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu, até sua ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados. É o dia santo mais importante da religião cristã, quando as pessoas vão às igrejas e participam de cerimônias religiosas.
   Muitos costumes ligados ao período pascal originam-se dos festivais pagãos da primavera. Outros vêm da celebração do Pessach, ou Passover, a Páscoa judaica. É uma das mais importantes festas do calendário judaico, que é celebrada por 8 dias e comemora o êxodo dos israelitas do Egito durante o reinado do faraó Ramsés II, da escravidão para a liberdade. Um ritual de passagem, assim como a “passagem” de Cristo, da morte para a vida.
   No português, como em muitas outras línguas, a palavra Páscoa origina-se do hebraico Pessach. Os espanhóis chamam a festa de Pascua, os italianos de Pasqua e os franceses de Pâques.
   Nossos amigos de Kidlink nos contaram como se escreve “Feliz Páscoa” em diferentes idiomas. Assim: (Faraone – 20/04/2003)
O verdadeiro sentido da Páscoa
Por José Luiz C. Duarte


A festa da Páscoa

   Para entendermos a Páscoa cristã, vamos, sinteticamente, buscar sua origem na festa judaica de mesmo nome. O ritual da Páscoa judaica é apresentado no livro do Êxodo (Ex 12.1-28). Por essa festa, a mais importante do calendário judaico, o povo celebra o fato histórico de sua libertação da escravidão do Egito acontecido há 3.275 anos, cujo protagonista desse evento foi Moisés no comando de seu povo pelo mar vermelho e deserto do Sinai.
   O evento ÊXODO/SINAI compreende a libertação do Egito, a caminhada pelo deserto e a aliança no monte Sinai (sintetizado nos dez mandamentos dado a Moisés). De evento histórico se torna evento de fé. A passagem do mar vermelho foi lembrada como Páscoa e ficou como um marco na história do povo hebreu. Nos anos seguintes ela sempre foi comemorada com um rito todo particular.
   Todo ano, na noite de lua cheia de primavera, os hebreus celebravam a Páscoa, com o sacrifício de cordeiro e o uso dos pães ázimos (sem fermentos), conforme a ordem recebida por Moisés (Ex 12.21.26-27; Dt 12.42). Era uma vigília para lembrar a saída do Egito (forma pela qual tal fato era passado de geração em geração – Ex 12.42; 13.2-8).
   Essa celebração ganhou também dimensão futura com o passar do tempo. E quando novamente dominados por estrangeiros, celebravam a Páscoa lembrando o passado, mas pensando no futuro, com esperança de uma nova libertação, última e definitiva, quando toda escravidão seria vencida, e haveria o começo de um mundo novo há muito tempo prometido.
   A celebração da Páscoa reunia três realidades distintas:
Uma realidade do passado: o acontecimento histórico da libertação do Egito quando Israel se tornou o povo de Deus;
   Uma realidade do presente: a memória ritual (celebração) do fato passado levava o israelita a ter consciência de ser um ‘libertado’ de Javé (=Deus), não somente os antepassados, mas o sujeito de hoje (Dt 5.4);
   Uma realidade futura: a libertação do Egito era símbolo de uma futura e definitiva libertação do povo de toda a escravidão. Libertação esta que seria a nova Páscoa, marcando o fim de uma situação de pecado e o começo de uma nova era.

   Jesus oferecendo seu corpo e sangue assume o duplo sentido da páscoa judaica: sentido de libertação e de aliança. E ao celebrar a Páscoa (Mt 26,1-2.17-20), Ele institui a NOVA PÁSCOA, a Páscoa da libertação total do mal, do pecado e da morte numa aliança de amor de Deus com a humanidade.
   A nova Páscoa não era uma libertação política do poder dos romanos, como os judeus esperavam. Poucos entenderam que o Reino de Deus transcende o aspecto político, histórico e geográfico.
   Hoje, ao celebrarmos a Páscoa, não o fazemos com sacrifício do cordeiro e alimentando-nos com pães sem fermento, pois Cristo se deu em sacrifício uma vez por todas (Jo 1.29; 1Cor 5.7; Ef 5.2; Hb 5.9), como cordeiro pascal, como prova e para nos libertar de tudo aquilo que nos oprime.


Os símbolos da Páscoa

   Nas últimas cinco décadas a humanidade se transformou. O capitalismo tomou conta do mundo e transformou tudo (ou quase tudo) em fonte de capital, de lucro, de consumo. Assim as festas - grande parte de caráter religioso - se tornaram ocasião de um consumo maior. Entre elas temos o Natal, Páscoa, dia das mães, dia dos pais e até o dia das crianças.
   Com a profanização, esses eventos perderam seus sentidos originais, humanos, familiares e religiosos. E hoje a riqueza simbólica das celebrações muitas vezes não passa de coisas engraçadas, incomuns e sem sentido. Por isso, o propósito deste artigo é tentar resgatar um pouco o sentido das coisas, das festas e celebrações e, simultaneamente, refletir sobre o sentido da vida humana.
   Não pretendemos estudar profundamente todos os símbolos da Páscoa cristã, mas mostrar o sentido cristão de alguns deles.


Os ovos de Páscoa

   Na antiguidade os egípcios e persas costumavam tingir ovos com cores da primavera e presentear os amigos. Para os povos antigos o ovo simbolizava o nascimento. Por isso, os persas acreditavam que a Terra nascera de um ovo gigante.
   Os cristãos primitivos do oriente foram os primeiros a dar ovos coloridos na Páscoa simbolizando a ressurreição, o nascimento para uma nova vida. Nos países da Europa costumava-se escrever mensagens e datas nos ovos e doá-los aos amigos. Em outros, como na Alemanha, o costume era presentear as crianças. Na Armênia decoravam ovos ocos com figuras de Jesus, Nossa Senhora e outras figuras religiosas.
   Os ovos não eram comestíveis, como se conhece hoje. Era mais um presente original simbolizando a ressurreição como início de uma vida nova. A própria natureza, nestes países, renascia florida e verdejante após um rigoroso inverno.
   Em alguns lugares as crianças montam seus próprios ninhos e acreditam que o coelhinho da Páscoa coloca seus ovinhos. Em outros, as crianças procuram os ovinhos escondidos pela casa, como acontece nos Estados Unidos.
   Antigamente, me lembro, há mais de 20 anos, o costume era enfeitar e pintar ovos de galinha, sem gema e clara, e recheá-los com amendoim revestido com açúcar e chocolate. Os ovos de Páscoa, como conhecemos hoje (de chocolate), era produto caro e pouco abundante.
   De qualquer forma o ovo em si simboliza a vida imanente, oculta, misteriosa que está por desabrochar.
   A Páscoa é a festa magna da cristandade e por ela celebramos a ressurreição de Jesus, sua vitória, sua morte e a desesperança (Rm 6.9). É a festa da nova vida, a vida em Cristo ressuscitado. Por Cristo somos participantes dessa nova vida (Rm 6.5).

O Chocolate

   Essa história tem seu início com as civilizações dos Maias e Astecas, que consideravam o chocolate como algo sagrado, tal qual o ouro. Os astecas usavam-no como moeda.
   Na Europa aparece a partir do século XVI, tornando-se popular rapidamente. Era uma mistura de sementes de cacau torradas e trituradas, depois juntada com água, mel e farinha. O chocolate, na história, foi consumido como bebida. Era considerado como alimento afrodisíaco e dava vigor. Por isso, era reservado, em muitos lugares, aos governantes e soldados. Os bombons e ovos, como conhecemos, surgem no século XX.


Os Coelhos

   A tradição do coelho da Páscoa foi trazida para as Américas pelos imigrantes alemães em meados do século 18. O coelho visitava as crianças e escondiam os ovinhos para que elas os procurassem.
   No antigo Egito o coelho simbolizava o nascimento, a vida. Em outros pontos da terra era símbolo da fertilidade, pelo grande número de filhotes que nasciam.
Eles também têm a ver com a vida, mas à abundância da vida, inesgotável, de se multiplicar sem se esgotar. Qual a relação disso com os coelhos?
Cristo, para o cristianismo, é essa Vida Nova, inesgotável e abundante.
   A liturgia do Sábado Santo e do Domingo da Páscoa está repleta de símbolos. Vejamos alguns deles:


O Fogo

   No Sábado Santo a celebração é iniciada com a bênção do fogo, chamado de “fogo novo”. Os agricultores, desprovidos de tecnologia e de conhecimento, utilizam o fogo, uma técnica milenar e primitiva, para limpar o terreno que será destinado ao plantio. Nesse caso o fogo limpa aquele espaço do mato das ervas daninhas e de tudo aquilo que prejudica ou é obstáculo para o plantio. Em grandes incêndios florestais o fogo aparece como uma força destruidora e às vezes incontrolável e invencível, como aconteceu recentemente nos Estados Unidos e Grécia.
   Na liturgia, Cristo é esse fogo que veio limpar o mundo do pecado, da desesperança, do ódio pregando e instaurando o Reino de Deus (MT. 3.11; MT 13.40; Lc 12.49; Hb 12.29). A Sua ressurreição mostra que Ele destruiu até a morte, o grande medo humano. O pecado foi vencido pela graça de sermos filhos de Deus, templos de Deus (Gl 4.7; Rm 8.14). O ser “imagem e semelhança de Deus” descrito na criação, conforme o livro do Gênesis (Gn 1.26), foi restaurado por Ele. A esperança por um mundo novo, justo e solidário foi reacendida.


A Água

   Em nossa vida diária, utilizamos esse bem precioso para matar nossa sede, para limpar de nosso corpo a sujeira e suor, para fazermos comida e para limpeza doméstica. A água é também alimento principal das plantas e meio de vida dos animais aquáticos. Ela também pode ser sinônimo de destruição, como acontece nas grandes enchentes.
   Para o cristianismo: Cristo é a verdadeira Água (Jo 4,9-15); a Água da vida que livra para sempre o homem do egoísmo e da maldade, desde que ele queira beber dessa Água; a morte e ressurreição de Jesus destruiu para sempre a incerteza do futuro e própria morte trazendo à humanidade o verdadeiro sentido da vida.
   O batismo é a resposta do ser humano à proposta de Deus. Por isso após a bênção da água se realiza a renovação das promessas batismais (Rm 6.1-11).
A aspersão do povo com água benta simboliza a nossa disposição em nos limpar de tudo aquilo que fere e prejudica o outro.


O Cordeiro

   O cordeiro é o símbolo mais antigo da Páscoa. No Antigo Testamento, a Páscoa era celebrada com os pães ázimos (sem fermento) e com o sacrifício de um cordeiro como recordação do grande feito de Deus em prol de seu povo: a libertação da escravidão do Egito. Assim o povo de Israel celebrava a libertação e a aliança de Deus com seu povo.
   No Novo Testamento, Cristo é o Cordeiro de Deus sacrificado uma vez por todas em prol da salvação de toda a humanidade. É a nova Aliança de Deus realizada por Seu Filho, agora não só com um povo, mas com todos os povos.


Óleos Santos

   Na antiguidade os lutadores e guerreiros se untavam com óleos, pois acreditavam que essas substâncias lhes davam forças. Para nós cristãos, os óleos simbolizam o Espírito Santo, aquele que nos dá força e energia para vivermos o evangelho de Jesus Cristo.


Pão e Vinho

   O pão e o vinho, sobretudo na antiguidade, foram a comida e bebida mais comum para muitos povos. Cristo ao instituir a eucaristia se serviu dos alimentos mais comuns para simbolizar sua presença constante entre e nas pessoas de boa vontade. Assim, o pão e o vinho simbolizam essa aliança eterna do Criador com a sua criatura e sua presença no meio de nós.
   O porquê da Páscoa não ser no mesmo dia todo ano? A origem é a Páscoa dos judeus, comemorada sempre no domingo da primeira lua cheia da primavera (outono para nós do hemisfério sul). Isso ocorre entre 22 de março e 24 de abril.


Conclusão

   Para nós, os cristãos, o centro de nossa fé será sempre Cristo que morreu e ressuscitou para nos mostrar que o Reino de Deus pregado por Ele está presente e vivo entre nós. A utopia de um mundo irmão, de paz e solidariedade é possível e é esse Reino. A vida, a morte e a ressurreição de Jesus são a concretização dessa utopia (Lc 17.21; Lc 21.28-33). A partir desses pressupostos todos os símbolos são fáceis de serem entendidos.


A Páscoa Judaica

Ágabo Borges de Souza

   A Páscoa judaica é marcada sobretudo pela refeição (Seder) pascal, que é feita em família. Além do jantar em família, eram celebrados ritos no templo, incluindo o sacrifício do cordeiro, hoje não se celebram mais esses ritos, mas há leituras nas sinagogas.
   No jantar da Páscoa há alguns elementos importantes como o cordeiro assado, pães ázimos, ervas amargas, ervas doces e o molho doce com cor de tijolo. Na época do templo o cordeiro pascal era sacrificado no próprio templo, porém com sua destruição isso não foi mais possível, mas ficou a lembrança. Pois, na bandeja da páscoa sobre a mesa do Seder, deve ter um osso grelhado, para lembrar do cordeiro e um ovo, “para lembrar as oferendas festivas que acompanhavam os sacrifícios” (Mansonneuve, Festas Judaicas, p. 31). Talvez venha daí nossa tradição do “ovo da Páscoa”, tão condenado por muitos hoje.
   O jantar da Páscoa tem um caráter eminentemente didático, ele ensina às gerações mais novas a Torah oral, pois o filho mais novo pergunta o sentido de cada elemento e o pai ou oficiante responde com base nos textos da Torah, conforme ensinou Hillel e Gamaliel. O rabino Gamaliel dizia: Quem não explicou os três elementos que acompanham a Páscoa não cumpriu com sua obrigação. Essa explicação se dá no Seder como resposta às perguntas do filho menor.
O Cordeiro Pascal (pesah) "é o sacrifício da páscoa de Jahwé, que passou as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu os egípcios e livrou nossas casas" (Ex 12.27).
   O Pão Ázimo (matsah) simboliza a falta de tempo de fermentar a massa do pão na saída do Egito. “E cozeram bolos ázimos da massa que levaram do Egito, porque ela não tinha levedado, porquanto foram lançados do Egito; e não puderam se deter, nem haviam preparado comida.” (Ex 12.39).
   As Ervas Amargas (maror) têm seu lugar porque os egípcios tornaram a vida dos israelitas amarga com o sofrimento da escravidão. “Assim lhes amargurava a vida com pesados serviços em barro e em tijolos, e com toda sorte de trabalho no campo, enfim com todo o seu serviço, em que os faziam servir com dureza (Ex 1.14)”. Hillel introduz ainda o molho doce, cor de tijolo, lembrando a produção de seu trabalho, no qual é embebida a erva amarga para comer, pois a amargura da servidão se tornou em doçura, graças à salvação. Esse também será o sentido das ervas doces.
   O aspecto didático da Páscoa é prescrito em Ex 12.25-26. Há no Midrasch a apresentação de quatro filhos, que representam quatro posturas diante da cerimônia.
1. O sensato, que quer aprender o sentido da Páscoa, por compreender ser ordenança de Jahwe;
2. O insensato, que não se compreende como parte da comunidade pascal, se excluindo de sua própria origem;
3. O ingênuo, que desconhece o sentido e é esclarecido;
4. O que não sebe fazer pergunta a este é explicado por iniciativa do pai.
   A Páscoa judaica é assim, rica em sentidos pois representa uma atualização da libertação de Deus da escravidão egípcia, com uma oportunidade de ensino doméstico da Torah, mantendo as gerações participantes da ação libertadora de Jahwe na história.


(Mário Natho)