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segunda-feira, 21 de julho de 2014

A Roda da Fortuna


                     A Roda da Fortuna 
                                                       Martin Schulman
    Enquanto o homem experimenta altos e baixos, provações e adversidades, ele é sustentado por um raio de esperança que se dirige para a prosperidade final de seu destino. Quando o curso da vida está indo contra si, ele sabe interiormente que dias melhores virão. Durante esses dias melhores, quando ele experimenta mais alegria em si mesmo, talvez sinta que seus pensamentos, emoções e atividades o estão levando para mais perto da meta que é o desejo sincero de sua Alma.
   Além de suas necessidades momentâneas, todo homem possui dentro de si a estrutura de suas aspirações. É essa estrutura de ideais que lhe ensina a diferença entre o certo e o errado. Quando um homem sai dessa estrutura, perde seu senso de certo e errado; ficar nela torna mais fácil compreender que tudo o que leva aos ideais é certo e o que o desvia deles é errado. Assim, o conceito de certo e errado, para qualquer indivíduo, é muito menos um produto da moralidade da sociedade em que vive do que dos meios através dos quais ele pode reconhecer os ideais intangíveis que definiu para si mesmo como sendo o seu objetivo particular. Atingir esses ideais iria lhe proporcionar uma vida de alegria. Nenhum de nós é tão velho ou cansado para acreditar em contos de fadas ou na presença de Deus; para esperar pelo bem definitivo ou por algum sonho distante logo além do horizonte de nossa imaginação. É esse sentimento impalpável de esperança que dá ao homem não somente seu entusiasmo pela vida e seu desejo de alcançar além de suas presentes conquistas, como também uma poderosa fé no resultado otimista de seu destino futuro.
   Cada indivíduo sabe congenitamente que em algum lugar existe um "pote de ouro" esperando no fim de seu próprio arco-íris. Para alcançá-lo o homem está disposto a passar pelas tempestades da vida, das quais emerge como "o capitão de seu próprio navio". As provações e as experiências que ele atrai e suporta são apenas as ondas nos mares por ele navegados em direção à sua própria terra prometida. O domínio de um obstáculo no caminho para uma meta idealista o leva para mais perto da praia.
   Os momentos na vida em que um homem sente-se completamente tranqüilo são comparativamente poucos em relação ao tempo que gasta indo rumo às suas metas. Algumas vezes ele perde a direção e erra o caminho. Embora sempre, nos níveis mais profundos, esteja preservada a essência pura do ideal; que a alegria da vida está esperando, se ele estiver disposto a entrar em seu próprio navio.
   Para alguns, essa grande alegria pode depender de outra pessoa, ou talvez envolva a segurança do dinheiro; ou talvez seja uma revelação espiritual ou alguma coisa verdadeiramente esotérica. Para muitas pessoas pode ser algo bastante simples — como lhes ser permitido o tempo para apenas "ser".
   Obviamente, os ideais de alegria são numerosos e variados. É por essa razão que cada indivíduo possui espaço e escolhas suficientes para personalizar, em sua própria maneira única, aquele ideal particular que lhe traria o maior sentimento de alegria e satisfação.
   Um poeta escreveu: "Nenhum homem é uma ilha..." Assim, definir nossos maiores ideais não é um processo fácil. O homem enfrenta fatores fora e dentro de si mesmo antes que possa conhecer a combinação particular de circunstâncias que o levarão ao sincero desejo de sua Alma. O maior obstáculo que o homem encontra ao longo de seu caminho é a preservação da harmonia interior e exterior. A harmonia interior nos permite conhecer as metas e ideais que nos trarão felicidade — "o pote de ouro".
   Na linguagem astrológica, esse pote de ouro é conhecido como a Roda da Fortuna. É através da expressão desse ponto que nos sentimos mais à vontade e percebemos nosso próprio nicho na vida. A Roda da Fortuna é também o ponto através do qual nos sentimos enraizados no centro de nosso próprio ser.
   As metas e os ideais de uma vida podem às vezes levar a vida toda para serem alcançados. Para aqueles que são suficientemente afortunados para atingirem tal vibração dourada cedo ainda na vida, teria que ter havido muito esforço concentrado num espaço de tempo relativamente curto. Assim, está claro que a Roda da Fortuna trabalha melhor para um indivíduo depois da meia-idade do que durante sua juventude.
   Devido à sua natureza peculiar e à promessa de tanto bem que ela encerra, a Roda da Fortuna representa o lugar no horóscopo onde, dentro de si mesmo, o indivíduo sabe que não deve comprometer seus ideais. Ele luta não apenas com seus próprios conflitos, mas também com os das pessoas ao seu redor, a fim de experimentar interiormente e expressar exteriormente a beleza pura daquilo que ele sabe ser possível.
   O primeiro fator com que nos confrontamos ao longo desse caminho de idealismo é a compreensão de nossa natureza solar. Através do signo do Sol, precisamos aprender quem são eles, o que simbolizam e estabelecer uma vibração de identidade muito positiva, que fica em maior harmonia com tudo que nos foi dado pela vida. Uma pessoa precisa estar disposta a encarar as partes mais brilhantes dentro de si mesma, que na realidade são tão boas que quase não se acredita nelas. Uma pessoa precisa aprender a energizar essa graça até não haver mais dúvidas em se identificar com ela. Precisamos aceitar tudo o que o universo nos destinou, como uma das crianças muito especiais de Deus, enquanto, ao mesmo tempo, dominamos nossas partes menos importantes que dissipam a vitalidade e diminuem o brilho de nosso maior potencial. Através do signo do Sol precisamos saber quem somos, não em função do que os outros pensam ou dizem, mas, sim, através do quanto de nós mesmos pode ser conhecido. Temos pela frente a difícil tarefa de sermos tolerantes e, ao mesmo tempo, rigorosos conosco. Como uma planta que floresce, precisamos aprender a nos dirigirmos para os raios do Sol, mantendo-nos, ao mesmo tempo, firmemente enraizados no lugar que se tornará o centro do ser. Não podemos negar nossa própria força, precisamos reconhecer as fraquezas e permitir que a força lide com elas. Uma pessoa precisa aprender a irradiar tudo o que ela é, para que, enquanto houver crescimento, exista uma habilidade para refletir mais puramente a energia e a beleza de seu ser.
   Através do signo da Lua, o homem precisa enfrentar uma parte muito diferente de sua natureza. Aqui, aprendemos como reagir emocionalmente a todas as forças estimulantes da vida. Através de muita prática, desenvolvemos padrões de reação que se tornam os blocos construtores de atitudes. O homem encontra seus maiores testes lidando com as circunstâncias externas da vida. Conhecendo as estações ou as mudanças que fluem interiormente, precisamos conseguir alcançar e manter uma reflexão clara e precisa do ser, não somente através de nossos próprios olhos, mas através do feedback recebido dos outros. A elevação da consciência através da posição da Lua é, na verdade, uma tarefa muito difícil. Isso não significa que um indivíduo precisa exercitar o controle emocional, mas, sim, que precisamos alcançar a harmonia emocional. Freqüentemente essas duas coisas não são iguais. Controlar nossas emoções, levando em consideração os fatores desagradáveis fora de nós mesmos, é como usar um guarda-chuva; mas, ao mesmo tempo, tendo a possibilidade de escolher entre sol e chuva, gostaríamos que não chovesse. A verdadeira harmonia emocional vem do reconhecimento de que não podemos mudar o tempo, mas, certamente, podemos mudar a maneira de nos adaptarmos a ele. O salgueiro que verga na tempestade, enquanto suas folhas voam com os ventos que mudam, ergue-se novamente quando a tempestade se acalma, e brilha outra vez como uma das criações mais majestosas da natureza. Ao mesmo tempo, uma árvore frágil sempre é destruída pela tempestade. Os delicados galhos e folhas do salgueiro são muito parecidos com a natureza emocional do homem como é representada pela Lua. Embora os galhos e folhas se curvem a cada brisa, nós temos uma consciência aguçada de que sua sobrevivência depende de nossa habilidade para manter sua ligação ao tronco da árvore. Aqui, o tronco da árvore pode ser comparado ao signo do Sol, que é o centro de nosso objetivo.
   O signo do Sol representa os fatores que são a essência do indivíduo — uma dádiva —, que torna a pessoa singularmente única. Através do signo da Lua aprendemos como nos adaptarmos ao mundo que se transforma. A Lua é o depósito de hábitos aprendidos a fim de sobreviver. O homem mede suas forças com o mundo em que vive e tenta manter um equilíbrio entre as necessidades que nutrirão seu signo do Sol e aquelas que a sociedade lhe permite satisfazer num determinado momento. Através do signo da Lua ele considera as necessidades e as opiniões de outras pessoas, e, através das reações significativas a elas, sustenta a si mesmo e aos outros. O equilíbrio entre as emoções, sentido pela Lua, e as necessidades do Sol, e sua integração, formam uma nova percepção de ser que permite que um indivíduo experimente um objetivo único e dirigido na vida. A percepção de ser dá ao indivíduo a consciência dos ideais essenciais que estruturam a direção e o objetivo.
   Considerar o Sol e a Lua apenas como fatores que levam a um equilíbrio dentro do indivíduo significaria ignorar uma lei universal: a lei da tríade, ou dos três. Um par, em tudo na natureza, automaticamente provoca um desequilíbrio. Veja as extremidades opostas da gangorra, com um lado para cima e o outro para baixo. Situações positivas/negativas sempre existem quando apenas dois fatores são considerados. As coisas parecem se tornar certas ou erradas, pretas ou brancas, altas ou baixas, leste ou oeste, grandes ou pequenas, dominantes ou submissas, e a lista poderia continuar sem fim. É apenas quando a Lei de Três é considerada que a harmonia e o equilíbrio perfeitos são alcançados. É o ápice no topo da pirâmide, através do qual todo poder é concentrado; o suporte no centro da gangorra, no qual as extremidades opostas podem se equilibrar. O conceito de Deus, na maior parte do mundo ocidental, é apresentado sob a forma da Trindade. Os relacionamentos entre duas pessoas somente funcionam suavemente na presença do divino poder superior. Os dois lados de uma moeda não têm sentido sem o terceiro fator, da essência do significado do próprio dinheiro. Na Astrologia, a Lei de Três está presente em todo lugar. Cada signo do zodíaco está dividido em três partes ou decanatos. Existem trinta graus para cada signo — três vezes dez. Cada quadrante do zodíaco abrange três signos que representam as estações do ano. Existem três qualidades para os elementos: cardinal, fixa e mutável. O Grande Trígono, através do qual uma milagrosa proteção divina parece resplandecer e que sempre ajuda um indivíduo a se firmar, é simbolizado por três pontos. A ciência da Geometria, à qual a Astrologia está diretamente relacionada, permitiu que o homem construísse o triângulo físico que é a forma de arquitetura mais forte para uma construção.
   O Ascendente é o terceiro fator que equilibra os signos do Sol e da Lua. Todas as energias planetárias são sentidas e expressadas através do Ascendente. É aqui, particularmente, que a atração entre o Sol e a Lua será mais fortemente sentida. Aqui, desenvolvemos a personalidade que nos permitirá lidar confortavelmente com as necessidades e os sentimentos. As dificuldades experimentadas para lidar com circunstâncias externas geralmente forçam a maioria das pessoas a usar o Ascendente para harmonizar as energias da Lua às custas das energias do Sol. Assim, a personalidade desenvolvida no Ascendente é também usada como uma fachada mediadora para amenizar tudo que um indivíduo sente e tudo que acredita que os outros pensam que deveria sentir. Isso concentra muita atenção na Lua, mas, na verdade, diz muito pouco para as necessidades do signo do Sol.
   Quando se permite que a personalidade, simbolizada pelo Ascendente, e o ser emocional ou habitual, simbolizado pela Lua, dominem o Sol, nos defrontamos com uma situação na qual a base de uma pirâmide é vista como sendo mais importante do que o seu topo. A base existe para sustentar o topo, e não o inverso. A Bíblia diz: "E os construtores rejeitaram o cume." A essência foi ignorada e sacrificada por um nível inferior de ser.
   Para reajustar o equilíbrio, um indivíduo precisa se tornar mais consciente do poder de seu signo do Sol. Astrologicamente, o melhor caminho para fazê-lo é refazer o mapa natal, com o Sol no Ascendente ou mentalmente colocar o Sol nessa posição. Fazendo o Sol formar uma conjunção com o Ascendente, a personalidade do indivíduo se harmoniza com as necessidades do Sol. Assim, estamos aumentando a importância do Sol e não permitindo que a personalidade aja independente dele. Agora, ambos precisam atuar juntos em direção a um objetivo comum. Obviamente, isso muda a ênfase da Lua. Se o Ascendente está agora atuando como um resultado do Sol, e não é mais uma fachada para a Lua, então é a vez de a Lua cooperar com esse novo equilíbrio que representa a força e o potencial do indivíduo. Continuando com a analogia do salgueiro: se o tronco da árvore, o Sol, tiver sido transplantado para o Ascendente, então as folhas, a Lua e as necessidades emocionais, precisam se mover também, e na mesma medida. Não podemos partir nossa árvore em pedaços. Para que isso aconteça, movemos a Lua o mesmo número de graus, na mesma direção em que o Sol foi movido. Por exemplo: se o Sol estava em 15.º de Áries, a Lua em 15.° de Capricórnio e o Ascendente em 15.° de Câncer, imaginamos o Sol no grau do Ascendente e a Lua 90 graus atrás ou em 15.° de Áries. A relação de graus entre o Sol e a Lua não mudou — são os mesmos 90 graus. Entretanto, a posição do signo mudou. Mais um exemplo: o Sol em 12.° de Peixes, a Lua em 6.° de Aquário, o Ascendente em 25.° de Câncer. O Sol e a Lua estão separados por 36 graus. Se o Sol for visualizado no Ascendente, 25.º de Câncer, a Lua estaria 36 graus para trás ou em 19.° de Gêmeos. A nova posição da Lua — signo e grau — forma a Roda da Fortuna. No primeiro exemplo, a Roda estaria em 15.° de Áries e no segundo, em 19.° de Gêmeos.
   A Roda da Fortuna simboliza o lugar no horóscopo através do qual o Sol, a Lua e o Ascendente estão no melhor relacionamento harmonioso entre si e são facilmente expressos para maior benefício do indivíduo.
   A Roda da Fortuna, como o planeta Júpiter, promete abundância. Entretanto, num sentido mais amplo, abrange muito mais da natureza de um indivíduo do que qualquer planeta específico. Ela harmoniza o indivíduo ao meio ambiente no qual será mais natural ser bem-sucedido, e define para cada indivíduo onde será o seu conceito único e particular de sucesso. Ela também mostra a necessidade mais forte numa pessoa, ao definir a diretriz particular para a qual todo seu ser vibra.
   Em todo indivíduo existe um "ego" e um "ego" ideal. A maneira mais simples de definir o "ego" é dizer que ele é o que a pessoa pensa de si mesma. Estejam corretos ou não os pensamentos a respeito de si mesma, a maneira como ela os percebe se torna seu "ego".
   Ao mesmo tempo, seu "ego" ideal é formado pelos pensamentos que representam tudo o que ela gostaria de ser mas não é. Assim, o "ego" ideal é sempre muito mais do que o "ego" real, com relação aos nossos sonhos de satisfação. Como resultado, quando uma pessoa olha para si vê, ao mesmo tempo, seu "ego" ideal, ou tudo que gostaria de ser, e seu "ego" (o conhecimento de tudo o que ela verdadeiramente é). Freqüentemente, ela vê uma grande lacuna entre os dois. Essa lacuna lhe serve como motivação para atingir além do que está dentro de seu alcance atual.
   O próprio "ego" muda dia a dia, momento a momento, dependendo do que o indivíduo faz, do meio ambiente no qual se encontra, e do quanto se acha bem-sucedido — aos seus próprios olhos e aos dos outros. O "ego" ideal, entretanto, é mais como um ponto fixo na mente, no mundo e no destino de um indivíduo. Simboliza a parte de si mesmo que ele acredita que o realizaria — se pudesse alcançá-lo. Assim, o "ego" ideal representa alguma coisa pela qual o indivíduo está interiormente lutando para atingir e sua feliz realização pode ser alcançada ao encontrar a harmonia prometida pela Roda da Fortuna.