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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Gêmeos o 3º Trabalho de Hércules


        Gêmeos, o 3º Trabalho de Hércules

        “Os Pomos de Ouro de Espérides” - O conhecimento de si próprio


   Num longínquo país nascia a árvore sagrada, a árvore da sabedoria, que produzia as maçãs de ouro de Espérides. Estas frutas eram desejadas por todos os filhos dos homens, que se reconheciam igualmente como filhos de Deus. Haviam duas coisas que Hércules conhecia sobre a árvore sagrada: que ela era carinhosamente guardada por três donzelas, e que um dragão de cem cabeças protegia as donzelas e a árvore.
   Hércules pôs-se a caminho, cheio de confiança, seguro de si, de sua sabedoria e sua força. Seguiu em direção ao norte e percorreu a Terra em busca da árvore sagrada, mas não a encontrou. Perguntava a todos os homens que encontrava, mas nenhum pode guiá-lo no caminho, nenhum conhecia o lugar. O tempo passava e ele ainda procurava, vagando de um lado para outro, frequentemente retornando sobre os próprios passos. Triste e desencorajado, ainda assim procurava por toda a parte.
   Não encontrando a árvore sagrada no caminho do norte, Hércules partiu para o sul, e no lugar da escuridão continuou sua busca. Sonhou com um rápido sucesso, mas Anteu, a serpente, atravessou seu caminho e lutou com ele, vencendo-o a cada investida. “Ela guarda a árvore”, disse Hércules, “isto me disseram, portanto a árvore deve estar por perto. Preciso derrubar sua guarda, e assim, destruindo-a, vencê-la e arrancar os frutos”. Contudo, lutando com todas as forças, ele não a vencia. “Onde está o meu erro?” Dizia Hércules. “Por que Anteu pode me vencer? Mesmo quando criança destruí uma serpente em meus braço. Com minhas próprias mãos a estrangulei. Por que o fracasso agora?” Lutando com todo o seu poder, ele agarrou a serpente em suas mãos e levantou-a no ar, longe do chão. E ele conseguiu o seu intento. Feliz, confiante, seguro de si e com nova coragem, Hércules continuou sua busca. Agora se voltou para o ocidente, e tomando esta direção, encontrou o fracasso.
   Atirou-se ao terceiro grande teste sem pensar e por muito tempo o fracasso atrasou seus passos. Lá ele encontrou Busires, o grande arqui-enganador, filho das águas e parente de Poseidon. Seu trabalho é trazer a ilusão aos filhos dos homens através de palavras de aparente sabedoria. Ele afirma conhecer a verdade e eles rapidamente acreditam. Ele diz palavras belas: “Eu sou o mestre. A mim é dado o conhecimento da verdade, aceita o meu modo de vida. Só eu sei, ninguém mais. Minha verdade é correta. Qualquer outra verdade é errônea e falsa. Fica comigo e salva-te.” E Hércules obedeceu, e a cada dia enfraquecia em seu caminho anterior, sua força estava minada. Ele amava Busires e aceitava tudo o que ele dizia, tornando-se cada vez mais fraco. Até que chegou o dia em que seu amado mestre o amarrou a um altar, e lá o manteve por um ano inteiro.
   Repentinamente, um dia, quando lutava para se libertar, e lentamente percebia quem Busires realmente era, palavras que ouvira a muito tempo lhe vieram à mente: “A verdade está dentro de ti mesmo. No teu interior há um poder mais elevado, força e sabedoria. Volta para teu interior e evoca a força que existe, o poder que é herança de todos os filhos de Deus”. Com a força que é a força de todos os filhos de Deus, ele rompeu as amarras, agarrou o falso mestre e prendeu-o no altar em seu lugar. Não disse uma palavra, apenar deixou-o lá para que aprendesse. Mais contido, embora cheio de indignações, Hércules percorreu longas distâncias sem rumo certo, prosseguindo sua busca. Aprendera muito durante o ano que passara preso ao altar e agora percorria o Caminho com maior sabedoria.
   Por todos os caminhos a busca prosseguiu. De norte a sul, de leste a oeste, foi procurada a árvore, mas não encontrada. Até que um dia, esgotado pela longa viagem, ele ouviu de um peregrino que passava no caminho, rumores de que perto de uma montanha distante a árvore seria encontrada, a primeira afirmação verdadeira que lhe havia sido feita até então. Assim, ele retrocedeu sobre seus passos em direção às altas montanhas do leste, e num certo dia, brilhante e ensolarado, ele viu o objeto de sua busca e então apressou o passo. “Agora tocarei a árvore sagrada”, gritou em meia à sua alegria, “montarei o dragão que a guarda”, verei as renomadas virgens e colherei as maçãs”. Mas novamente foi detido por um sentimento de profunda tristeza. A sua frente estava Atlas, cambaleante sob o peso do mundo às suas costas. Sua face estava vincada pelo sofrimento, seus membros vergados pela dor, seus olhos cerrados em agonia, ele não pedia auxílio, ele não viu Hércules, apenas lá estava, vincado pela dor, pelo peso dos mundos. Trêmulo, Hércules observava e avaliava o quanto havia de peso e de dor. E esqueceu sua busca.
   A árvore sagrada e as maçãs desapareceram de sua mente, e le só pensava como ajudar o gigante e isto sem demora, correu para ele e animadamente retirou a carga dos ombros de seu irmão, passando-a para suas próprias costas, aguentando ele mesmo a carga dos mundos. Cerrou os olhos, enrijecendo os músculos sob o esforço, e eis que a carga se desprendeu e lá estava ele livre, como Atlas, diante dele com as mãos estendidas num gesto de amor, o gigante ofereceu a Hércules as maçãs de ouro. Era o fim da busca. As virgens trouxeram mais maçãs de ouro e depositaram em suas mãos e Aegle, a bela virgem que é a glória do sol poente disse-lhe: “O Caminho que traz a nós é sempre marcado pelo serviço. Atos de amor são sinalizações do Caminho”. Então, Eritéia a guardião do portão que todos devem atravessar antes de se apresentarem diante do Criador, deu-lhe uma maça na qual estava escrito em lua a palavra de ouro, SERVIÇO. “Lembre-te disto” disse ela, “jamais te esqueças”. “Vai e serve, e a partir de hoje e para sempre, palmilha o caminho de todos os servidores do mundo”. “Então eu devolvo as maçãs para aqueles que virão”, disse Hércules, e retomou ao lugar de onde viera.
   Então ele ouviu a voz de seu Mestre, que lhe falava pela primeira vez desde que iniciara o Caminho: “Não houve retardamento, a regra que acelera todo o sucesso na senda escolhida é aprender a servir”.
Este é o Trabalho do signo de Gêmeos, relacionado com o trabalho ativo de todo o aspirante no plano físico à proporção que ele chega a uma compreensão de si mesmo. Antes de que este trabalho se torne possível, deve haver um ciclo de pensamento interior e anseio místico, aspiração à visão e um processo subjetivo desenvolvido, talvez por longo tempo, antes que o homem, no plano físico, comece o trabalho de unificação de alma e corpo. Este é o tema deste trabalho. É neste plano físico de realização, e no trabalho de obter as maçãs de ouro da sabedoria, que a prova real da sinceridade
do aspirante tem lugar. Um anseio de ser bom, um profundo desejo de averiguar os fatos da vida espiritual, esforços pela autodisciplina, oração e meditação, precedem quase que inevitavelmente, este real e tenaz esforço.
   Os visionários precisam se tornar homens de ação, o desejo tem que ser trazido para o mundo da concretização, e é nisto que se consiste a prova de Gêmeos. O plano físico é onde se obtém a experiência e onde as causas, que foram iniciadas no mundo do esforço mental tem que se manifestar e alcançar objetividade. É também onde o mecanismo de contato se desenvolve, onde pouco a pouco, os cinco sentidos se abrem ao ser humano, novos campos de percepção e lhe oferecem novas esferas de conquistas e realizações. É o lugar, portanto, onde o conhecimento é obtido, e onde este conhecimento deve ser transmutado em sabedoria.
   Conhecimento é a busca do sentido, enquanto a sabedoria é o onisciente e sintético conhecimento da alma. Contudo, sem compreensão na aplicação do conhecimento, nós perecemos, pois compreensão é a aplicação do conhecimento sob a luz da sabedoria aos problemas da vida e à conquista da meta.

Neste Trabalho, Hércules defronta-se com a tremenda tarefa de aproximar os dois polos de seu ser e coordenar, ou unificar, alma e corpo, de modo que a dualidade dê lugar à unidade e os pares de opostos se mesclem. 

Bibliografia: Os 12 Trabalhos de Hércules - Alice A. Bailey