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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Primeiro Aniversário do Pensando Céu

         1º Aniversário do Pensando Céu

   Neste 29 de novembro de 2013 as 18h18'08'' este blog faz um ano, com mais de 102.000 visualizações, #chocada, e fico pensando como tudo começou. Primeiro de uma necessidade de comunicar o que penso da Astrologia e depois, e o mais importante, de um empurrão da minha amiga Ariane Feijó. Valeu Ari! Te Amo, tu sabes, que me disse:” Mulher! Precisas escrever o que tu pensa”, daí surgiu o “Pensado Céu”.
   O primeiro passo foi montar o blog, busquei o mais simples e direto, logo a seguir fechei os olhos e imaginei a cara que eu queria que ele tivesse.
   Ele nasceu, como tudo nasce, frágil e indefinido e aí entra minha amiga Katia Cardoso, aquela de todas as horas “mesmo”, virginiana, estudante, na época, de web designe e especialista em mídias digitais, com suas orientações e sugestões, para que eu fizesse deste blog o "meu blog", com a minha cara, e que a minha Vênus em Escorpião no Meio do Céu ficasse satisfeita, o que não é muito fácil nem muito compreensível, para a maioria das pessoas, não para as que te amam. Fica aqui o meu agradecimento: Valeu Katia! Pela paciência, tolerância e respeito, com o meu não tão “normal” jeito de ser e pensar.
   Mas o blog precisava de um cabeçalho que precisava de imagem, proporções, letras, cores e formas. A imagem eu encontrei e passei para um dos grandes amores da minha vida: minha sobrinha Sara Borba Reginatto, tinha certeza, e assim aconteceu, que voltaria como eu queria, dei esta tarefa para ela sabendo que seria feita como se fosse eu, só que mais jovem, qualificada, com experiência em softwares de edição de imagens, senso estético mais formação em Publicidade e Propaganda. Valeu Sarinha! Pelo amor guerreiro e incondicional que tens por mim, que tu sabes que é recíproco.
   E aí nasceu o Pensando o Céu, aos poucos vou passando o meu recado, com a pretensão de ler a linguagem do universo, decifrando seus símbolos, ciclos e arquétipos. Linguagem é o que a Astrologia é, o que difere é o uso que fazemos dela.
   Agradeço aos meus amigos e leitores que me estimulam a continuar, através dos comentários, likes e compartilhamentos, dando sentido a este meu escrever. Aos meus colegas de profissão, que já estão a mais tempo blogando na Web, pela forma que me receberam, carinhosos e receptivos.
   Vim para somar e debater, trocar e aprender, e principalmente divulgar a Astrologia como instrumento de desenvolvimento do nosso potencial mental, através do conhecimento e da interpretação do universo simbólico, que nos qualifica a pensar nossas vidas e traduzir o céu.

                                    Gratidão e Amor a todos!



quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Sol em Sagitário

                                         Pintura de Salvador Dali

                               Sol em Sagitário

   Neste 22 de novembro a 01h37 Sol em Sagitário. Signo regido pelo Senhor do Olimpo, Zeus/Júpiter, e como ele não conhece limites, para o bem e para o mal, como a vida, luz e sombra, claro e escuro, yin e yang.
   Sagitário é o 9° signo do Zodíaco, representado pelo Centauro com sua flecha que aponta para cima e para o infinito, representa a busca do homem por evolução, necessidade de entendimento e conhecimento. Está relacionado com o pensamento filosófico, a busca do entendimento das coisas do espírito, das leis do universo e dos homens.
   A vida que inicia em Áries se elabora em Sagitário, o pensador do Zodíaco pode viver divagando alegremente pela vida sem se preocupar, sabe que nestas paragens somos todos limitados pelo carma, e por isto, muitas vezes, extrapola os limites que ele mesmo estabeleceu, através dos códigos éticos, morais e todo o tipo de critérios estabelecidos para o convívio humano.
   O espírito sagitariano é a qualidade que existe em todos nós, em alguma área da nossa vida, casa em que temos Sagitário, em que nos libertamos das amarras das convenções e buscamos o distante, desconhecido e avançamos, lei da evolução, do crescimento, motor que nos põe em movimento. Sempre perguntando e nunca encontrando respostas conclusivas, buscando a próxima, indefinidamente.
   Conhecidos como atletas de alta performance, que sempre estão procurando romper com os limites do corpo, e que são responsáveis por recordes que empurram todos nós a buscar os limites da matéria.
   Pensadores e escritores, advogados e juízes, Sagitário é o arquétipo dos estudos em alto nível e das grandes viagens da mente e do espírito. Passam a vida tentando entender a si e ao outro, até que passam a se dedicar a espiritualidade e encontram a paz através das práticas que alinham o corpo a mente, harmonizam as emoções e podem encontrar o Mestre interior. Descobrem que a busca de toda uma vida, nos estudos, nas viagens, nos divertimentos e em todo o tipo de exageros, estava no seu espírito imortal. Representa a busca necessária para que a vida faça sentido, livre de valores superficiais e estabelecidos por necessidades de filosofias religiosas, política definidas pelo próprio homem. Sagitário representa a lei e o desejo de transgredir, antagônico e coerente, mestre e charlatão.
   No seu ciclo por Sagitário, o Sol, centro de toda a vida neste Sistema Solar, nos indica um ciclo de expansão e positividade, de exercício de fé na vida, ênfase na área/casa da vida em que temos Sagitário, onde somos expansão e busca, proteção e sorte.
   Neste período o Sol fará aspecto harmônico com Urano em Áries, ambos signos do Fogo e de energia yang, energizando o planeta com uma energia de evolução da consciência, que fará toda a diferença nas mudanças que estão acontecendo nos padrões comportamentais da humanidade, e ao ativar a quadratura de Urano com Plutão em Capricórnio, a consciência do homem se integra neste movimento de ruptura de tudo que é pré estabelecido, reformulando comportamentos, métodos e reinventando, com bases nos novos tempos, que mudam com uma velocidade alucinante, Urano em Áries.
   Júpiter, o regente de Sagitário está em trânsito, retrógrado, por Câncer/Caranguejo, envolvido harmonicamente com Saturno e Nodo Norte em Escorpião e Netuno e Quíron em Peixes, na trindade da Água, em que as emoções são o foco, memórias atávicas, forças do inconsciente e dissolução no todo maior, para onde Sagitário aponta mas ainda não chegou lá, está buscando.
   Em Sagitário aprendemos que a Verdade é composta de infinitas verdades individuais, e a isto chamo liberdade.
Com Júpiter exaltado em Câncer teremos oportunidades de ter experiências espirituais iluminadas e benéficas, favorece a prática de meditação. Abrem-se canais positivos de expressão emocional e artística. Superar traumas e criar chances para curas psíquicas. Os que vivem apenas a dimensão material da vida, a realidade imediata e aparente podem se sentirem perdidos e recorrerem a falsos mestres espirituais, curandeiros ou as drogas.
   Por outro lado este aspecto cria um ambiente favorável à caridade e a compaixão. É à hora para superarmos a mesquinhez e nos afeiçoarmos mais ao próximo por meio do amor incondicional e desapegado. Hora de transcender espiritualmente e buscar dentro de nós as nossas verdades mais íntimas e interiores.



domingo, 17 de novembro de 2013

Peixes, o 12º Trabalho de Hércules

       Peixes, o 12º Trabalho de Hércules

“A captura do gado vermelho de Gerião” - A transcendência da animalidade, a salvação

  
 O Mestre chamou Hércules e disse-lhe: “Tu agora estás diante do último Trabalho. É o que falta para que o ciclo seja completo, e a liberação conquistada. Vai até aquele lugar sombrio chamado Eritéia onde a Grande Ilusão está entronizada, onde Gerião, o monstro de três cabeças, três corpos e seis mãos é rei e senhor. À margem da lei ele mantém um rebanho de gado vermelho-escuro. De Eritéia deves trazer até nossa Sagrada Cidade, este rebanho. Cuidado com Euritião, o pastor, e seu cão de duas cabeças, Ortus”. E depois de uma pausa continuou: “ Mais um aviso posso dar, invoca a ajuda de Helio.” Hércules partiu e no templo fez oferendas a Helio, o deus do fogo e do sol. Por sete dias Hércules meditou, e depois mereceu dele um favor. Um cálice dourado caiu no chão aos seus pés. Ele sentiu no seu íntimo que este objeto brilhante o capacitava a cruzar os mares para alcançar o país de Heritéia. E assim foi. Sob a segura proteção do cálice dourado, ele velejou pelos mares agitados até chegar em Heritéia.
   Numa praia daquele país distante, Hércules desembarcou. Não muito longe dali ele chegou a um pasto onde o gado vermelho-escuro pastava. Era guardado pelo pastor Euritião e pelo cão de duas cabeças, Ortus. Quando Hércules se aproximou, o cão lançou-se como uma flecha para ele, rosnando ferozmente, tentando alcançá-lo. Com um golpe decisivo Hércules derrubou o monstro. Então Euritião, amedrontado pelo bravo guerreiro que estava diante, suplicou para que sua vida fosse poupada. Hércules concedeu-lhe o pedido. Conduzindo o gado vermelho sangue adiante dele, Hércules voltou sua face para a Cidade Sagrada. Ainda não estava muito longe daquelas pastagens quando percebeu que o monstro Gerião vinha em louca perseguição. Logo Gerião e Hércules estavam face a face. Exalando fogo e chamas de todas três cabeças simultaneamente, o monstro avançou sobre ele. Esticando bem seu arco, Hércules lançou uma flecha que parecia queimar o ar e que atingiu o monstro em seu flanco. Tamanho foi o ímpeto com que fora lançada que todos os três corpos de Gerião foram perfurados. Com um guincho desesperado, o monstro oscilou, depois caiu, para nunca mais se levantar. Hércules conduziu, então, o lustroso gado para a Cidade Sagrada. Difícil foi a tarefa. Volta e meia alguns bois se desgarravam, e Hércules deixava o rebanho para procurar aquelas cabeças que se perdiam. Através dos Alpes ele conduziu o seu rebanho, até a Halia.
   Onde quer que o mal houvesse triunfado, ele golpeava as forças do mal com golpes mortais, e corrigia a balança em favor da justiça. Quando Eryx, o lutador, o desafiou, Hércules o derrubou tão vigorosamente que ele permaneceu caído. Novamente quando o gigante Alcioneu lançou sobre Hércules uma rocha que pesava uma tonelada, ele a deteve com sua clave e a mandou de volta, matando o agressor. Às vezes ele perdia seu rumo, mas sempre se voltava , refazia seus passos, e prosseguia. Embora exausto por este cansativo trabalho, Hércules por fim voltou. Quando chegou o Mestre que o esperava, disse-lhe: “A joia da imortalidade te pertence. Por estes Doze Trabalhos tu superastes o humano e te revestiste do divino. De volta ao lar vieste, para não mais partires. No firmamento estrelado o teu nome será escrito, um símbolo para os batalhadores filhos dos homens, de seu imortal destino. Os trabalhos humanos estão encerrados, tua tarefa Cósmica começa”.
   Este último Trabalho está associado ao signo de Peixes. Hércules viajou, velejando até a ilha numa taça dourada e quando lá chegou, ele subiu até o topo da montanha onde passou a noite em oração. Matou o cão de duas cabeças mas não o pastor. Ele também matou o dono daquelas paragens.
   Aqui está a parte mais bela desta história: Hércules colocou o rebanho inteiro na taça dourada, a mesma que utilizará na vinda, e o levou para a Cidade Sagrada e o ofereceu em sacrifício a Athena, a Deusa da Sabedoria. Esta cidade sagrada consiste de duas cidades ligadas por um belo muro e um portão chamado de Portão do Leão. Depois de que o gado foi entregue, acabou-se o trabalho de Hércules.
   Vamos pensar em Hércules como salvador mundial. Ele vê a humanidade possuída por um monstro, um homem de três cabeças, símbolo de um ser humano com os corpos físicos, emocional e mental unidos. O simbolismos do gado vermelho é claramente o dos desejos inferiores, o desejos sendo sempre uma destacada característica da humanidade. Eles são guardados por um pastor, que é a mente, o cão de duas cabeças, representando os aspectos da matéria e o psiquismo. Está bem claro que Hércules poupou o pastor: a mente ainda pode ser o pastor do gado, mas o cão de duas cabeças, a natureza psíquica emocional e o aspecto material, Hércules matou, o que significa que foram privados de qualquer poder.



Bibliografia: Os 12 Trabalhos de Hércules – Alice A. Bailey

sábado, 16 de novembro de 2013

Aquário, o 11º Trabalho de Hércules

       Aquário, o 11° Trabalho de Hércules

“A limpeza dos estábulos de Augias” - Limpeza e purificação, usando a água, preparando o encerramento do ciclo


   O Mestre chamou Hércules e disse: “Onze vezes a roda girou e agora estás diante de outro Trabalho. Por muito tempo perseguistes a luz que tremeluzia, primeiro de maneira incerta, depois aumentando até se tornar-se um firme farol, e agora brilha para ti como um sol brilhante. Agora volta tuas costas para o brilho, volta tuas costas para o brilho, inverte teus passos para Augias, cujo reino deve ser limpo do antigo mal”. E Hércules saiu a procura Augias, o rei.
   Quando ele se aproximou do reino que Augia governava, um terrível mau cheiro que o fez quase desmaiar, feriu suas narinas. Durante anos, ficou sabendo, o Rei Augias jamais fizera limpar o excremento que seu gado deixava nos estábulos reais. Então os pastos estavam tão adubados que nenhuma colheita crescia. Em consequência, a pestilência varria o país, devastando vidas humanas. Hércules dirigiu-se para o palácio e procurou pelo próprio Augias. Informado de que Hércules vinha limpar os fétidos estábulos, Augias confessou sua dúvida e descrença dizendo: “Dizeis que farás esta imensa tarefa sem recompensa? Não confio naqueles que anunciam tais bazófias. Hás de ter algum plano astucioso que arquitetastes, oh Hércules, para me roubar o trono. Jamais ouvi de homens que procuram servir ao mundo sem recompensa. Nunca ouvi. A esta altura, contudo, eu de bom grado acolheria a qualquer tolo que procurasse ajudar. Mas deve ser feito um trato para que não zombem de mim como sendo um rei bobo. Se tu, em um único dia, fizeres o que prometeste, um décimo de todo o meu rebanho será teu, mas se fracassares, tua vida e teus bens estarão em minhas mãos. Não penso que possas cumprir tuas bazófias, mas podes tentar.
   Hércules então deixou o rei. Ele vagou pela pestilenta área, e viu uma carroça passar empilhada com cadáveres, vítimas da pestilência. Dois rios, ele observou, o Alfeu e o Peneu, fluíam mansamente pela vizinhança. Sentado a beira de um deles, a resposta para seus problemas lhe veio à mente como um relâmpago. Com determinação e força ele trabalhou. Com enorme esforço ele conseguiu desviar ambas as correntes dos cursos seguidos por séculos. Ele fez com que Alfeu e Peneu desviassem suas águas através dos estábulos e aceleradas limparam a imundice por tanto tempo acumulada. O reino foi limpo de toda fétida treva. Em um dia foi cumprida a tarefa impossível.
   Quando Hércules, bastante satisfeito com o resultado, voltou a Augias, este franziu a testa e disse: “Conseguistes êxito com um truque”, berrou de raiva o Rei Augias. “Os rios fizeram o trabalho, não tu. Foi uma manobra para tirar meu gado, uma conspiração contra meu trono. Não terás uma recompensa. Vai, sai daqui ou mandarei decapitar tua cabeça!” O enraivecido rei assim baniu Hércules e o proibiu de voltar ao seu reino, sob pena de morte imediata.
   Hércules cumpriu a tarefa que lhe tinha sido dada e voltou ao Mestre que disse: “Tu te tornaste um servidor mundial. Avançasses ao recuares, viestes a casa da luz por outro caminho, gastastes a tua luz para que a luz dos outros pudessem brilhar. A joia que o décimo primeiro trabalho dá é tua para sempre.” Hércules sendo iniciado, deveria fazer três coisas, que podem ser resumidas como as características principais de todos os verdadeiros iniciados. Se não estivessem presentes em alguma medida, o homem não é um iniciado. A primeira é o serviço impessoal, que não é o serviço que prestamos porque nos dizem que o serviço é o caminho de libertação, mas o serviço prestado porque nossa consciência não é mais centrada em nós. Não estamos mais interessados em nós mesmos e sim, nossa consciência sendo universal, nada há a fazer, senão assimilar os problemas de nossos semelhantes e ajudá-los. Para o verdadeiro iniciado isto não é esforço. A segunda é o trabalho grupal que é permanecer sozinho espiritualmente na manipulação dos assuntos pessoais, esquecendo completamente de si mesmo, do bem-estar do particular em prol da humanidade, a qual está associado. A terceira é o autossacrifício que significa tornar o ego sagrado, Isto lida com o ego do grupo e o ego do indivíduo, este é o trabalho do iniciado.
   Este Trabalho está associado ao signo de Aquário. Cada um de nós é um animal do rebanho de Augias, e os estábulos onde os animais viviam não foram limpos por trinta anos. Trinta é o três multiplicado por dez, três é o número da personalidade e o dez é o número da complementação. Hércules rompeu todas as barreiras, que é a primeira coisa que deve acontecer na Era de Aquário, que significa que devemos começar a pensar em termos amplos, deixar de sermos exclusivos. Cultivemos o espírito de Aquário de deixar as pessoas livres, cultivemos a capacidade da confiança, eliminemos a desconfiança de todos os que nos ligarmos, creiamos neles e eles não nos decepcionarão. Se imputamos a eles motivos errados, eles nos trairão e esta falta será nossa. Sejamos tão leais quanto pudermos com a luz que temos. Cultivemos o espírito de Aquário, da não separatividade, do amor, da compreensão, da inteligência, livres da autoridade, buscando tirar de cada ser humano com quem nos deparamos, o melhor que nele existe.
   Aquário já foi referido como o “signo de João Batista”, em termos do iniciado. Se fizermos tudo o que pudermos neste tempo, cumpriremos a função de João Batista preparando o caminho para aquele extraordinário acontecimento que terá lugar individualmente quando a humanidade compreender a própria grande vitória e der um passo para frente e para o alto.



Bibliografia: Os 12 Trabalhos de Hércules – Alice A. Bailey

Capricórnio, o 10º Trabalho de Hércules

  Capricórnio, o 10º Trabalho de Hércules

“A morte de Cérbero” - A elevação da personalidade, a terceira iniciação


   O Mestre disse a Hércules: “Enfrentaste com êxito mil perigos, Hércules, e muitas conquistas foram feitas. A sabedoria e a força te pertencem. Farás uso delas para salvar alguém em angustia, uma presa de imenso e infindável sofrimento?” E tocando gentilmente a fronte de Hércules, diante de seu olho interno, surgiu uma visão. Um homem jazia sobre a rocha e gemia como se seu coração fosse partir-se. Seu pés e mãos estavam acorrentados, as fortes correntes que o prendiam estavam ligadas a anéis de ferror. Um abutre, feroz e audacioso, mantinha-se bicando o fígado da vítima, em consequência, uma corrente de sangue jorrava do seu flanco. O homem elevava suas mãos acorrentadas e clamava por socorro, mas suas palavras ecoaram em vão na desolação e eram engolidas pelo vento.
   A visão desapareceu e o Mestre falou: “Aquele que viste acorrentado se chama Prometeu. Ele sofre assim a muito tempo, e contudo, sendo imortal, não pode morrer. Do céu ele roubou o fogo sagrado, por isto foi punido. O lugar de sua morada é conhecido como Inferno, o reino de Hades. Pede-se que sejas o salvador de Prometeu, Hércules. Desde até as profundezas, e de lá o liberte do sofrimento”.
   Hércules iniciou sua viagem descendo sempre através das ligações dos mundos da forma. A atmosfera se torna cada vez mais pesada, a escuridão crescia sempre. E contudo sua vontade estava firme. Essa íngreme descida continuou por longo tempo. Sozinho, contudo não absolutamente só, ele vagueava, e quando ele procurou em seu íntimo ele ouviu a voz prateada da Deusa da Sabedoria, Athena, e as palavras encorajadoras de Hermes. Por fim ele chegou a um rio escuro e envenenado que as almas dos mortos tinham que cruzar. Uma moeda tinha de ser dada a Caronte, o barqueiro, para que as levasse para o outro lado. O visitante da terra assustou Caronte, que levou Hércules ao outro lado, sem lembrar-se de cobra-lhe. Hércules penetrou o Hades, uma nevoenta e escura região onde as sombras, ou melhor, as conchas dos que haviam partido, esvoaçavam.
   Quando Hércules percebeu a Medusa, com seu cabelo encaracolado com serpentes sibilantes, ele tomou a espada e tentou atingi-la, mas só bateu no ar vazio. Ele seguiu pelos caminhos labirínticos até chegar a corte do rei que governava o mundo subterrâneo, Hades. Este inflexível, severo e com semblante ameaçador, sentava-se em seu negro trono quando Hércules se aproximou. “Que procuras, um mortal vivo nos meus reinos”? Hades o interpelou. Hécules disse: “Procuro libertar Prometeu”. “O caminho está guardado pelo cão Cébero, um cão com três grandes cabeças, cada uma com serpentes enroladas em torno”, replicou Hades. “Se puderes derrotá-lo com tuas mãos vazias, um feito que ninguém jamais realizou, poderá libertar o sofredor Prometeu”.
   Satisfeito com a resposta, Hércules agarrou a primeira cabeça e a manteve presa em seus braços, enquanto o monstro debatia-se. Finalmente sua força o cedeu e Hércules seguiu até encontrar Prometeu em uma laje de pedra, em dores atrozes. Hércules partiu as correntes e libertou o sofredor.
   Este trabalho está associado ao signo de Capricórnio, o mais misterioso dos doze.. Há dois portões de importância dominante: Câncer, no que chamamos vida e Capricórnio, o portão para o reino espiritual. Capricórnio é o portão que nós finalmente passamos quando não mais nos identificamos com o lado forma da existência, nos tornamos identificados com o espírito. É isto que significa ser iniciado, uma pessoa que não põe mais sua consciência na mente, ou nos desejos, ou no corpo físico. Ele pode usá-lo se quiser, e o faz para ajudar toda a humanidade, mas não é neles que focaliza sua consciência. Ele está focalizado no que chamamos de alma, que é aquele aspecto de nós mesmos que está livre da forma. É na consciência da alma que finalmente funcionamos em Capricórnio, conhecemo-nos como iniciados, e entramos nos dois grandes signos universais de serviço à humanidade. Em Aquário vai lidar simbolicamente com animais em massa, neste Trabalho Hércules vai ter o a tarefa de limpar as estrebarias de Augias, seu primeiro trabalho como um discípulo mundial. Em Peixes vai capturar, não o touro, mas todos os bois, introduzindo em nossa consciência a ideia da universalidade do trabalho mundial, da consciência grupal, da consciência e do serviço universal.
   Capricórnio representa a terceira iniciação, a primeira das iniciações principais. Quando o homem lembra de que o destino da humanidade depende em grande parte da sua vontade de colaborar na tarefa transcendental. Que ele se lembra de que a lei é, e sempre foi, lutar, e que ela não perdeu sua importância ao ser transportada do plano material para o espiritual. Que ele lembre de sua própria dignidade, sua nobreza como um ser humano, que deve emergir de seus esforços para se libertar de sua servidão e para obedecer suas aspirações mais profundas. E que ele jamais se esqueça da centelha divina que está nele, e que ele é livre para desconsiderá-la, matá-la, ou se aproximar dela, mostrando seu entusiasmo para trabalhar com ela e para ela.



Bibliografia: Os 12 Trabalhos de Hércules – Alice A. Bailey

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Sagitário, o 9º Trabalho de Hércules

      Sagitário, o 9º Trabalho de Hércules

“A morte dos pássaros de Estínfalos” - O homem acaba com as tendências ao uso do pensamento negativo

   Foi dito a Hércules que era chegado o tempo de trilhar um outro caminho. Deveria buscar no pântano de Estínfalo onde habitavam os pássaros destruidores e descobrir, então, o caminho para espantá-los de sua morada tão segura.  
   O Mestre disse-lhe: “A chama que brilha além da mente revela a direção certa.” Hércules seguiu o Caminho e procurou longamente, até chegar a Estínfalo. Diante dele estendia-se o fétido pantanal onde uma multidão de pássaros gralhavam roucamente, num coro ameaçador e dissonante, quando ele se aproximou. Cada pássaro tinha um bico de ferro, afiado como uma espada. As pernas se assemelhavam a dardos de aço e, caindo, podiam cortar em dois as cabeças dos viajantes. Suas garras competiam com seus bicos em capacidade de corteSagitário, o 9º Trabalho de Hércules
“A morte dos pássaros de Estínfalo” - O homem acaba com as tendências ao uso do pensamento negativo
   Foi dito a Hércules que era chegado o tempo de trilhar um outro caminho. Deveria buscar no pântano de Estínfalo onde habitavam os pássaros destruidores e descobrir, então, o caminho para espantá-los de sua morada tão segura.
   Três pássaro, percebendo Hércules, arremeteram sobre ele que permaneceu onde estava e revidou aos ataques com a pesada clava que portava. Um dos pássaros foi atingido no dorso e duas penas foram atiradas no chão. Por fim, os pássaros se retiraram. Parado à beira do pântano, Hércules pensava como poderia se livrar dos terríveis pássaros.
   Primeiro tentou matá-los com uma chuva de setas. Os poucos que ele matou eram apenas uma fração dos muitos que permaneciam. Eles levantaram voo em nuvens tão espessas que ocultavam o sol. Ele pensou em por armadilhas no pântano, porém lembrou-se do conselho que recebera: “A chama que brilha além da mente revela a direção”. Refletindo longamente, um método lhe veio a mente. Ele possuía dois pratos de bronze que emitiam um som estridente, não terreno, um som tão áspero e tão penetrante, que seria capaz de amedrontar os mortos. Para o próprio Hércules o som era tão intolerável que ele cobria ambos os ouvidos para protegê-los.
   Ao anoitecer, quando o pantanal estava recoberto por incontáveis pássaros, Hércules voltou. Ele então tocou os pratos aguda e repetidamente. Um tinido tão estridente então soou, que ele mal pode suportar o som. Tal dissonância, tão agressiva, jamais fora ouvido naquelas paragens. Assustados e perturbados por um ruído tão monstruoso, os pássaros levantaram voo guinchando em louco espanto, fugindo para nunca mais voltar. Seguiu-se um longo silêncio em todo o pântano, e os suaves raios do sol poente embelezavam o lugar.
   Este Nono Trabalho esta associado ao signo de Sagitário, o arqueiro montado num cavalo branco, algumas vezes representado como o centauro com arco e flechas. Nesses dois modos de representação, o centauro, metade humano e metade animal, o arqueiro no cavalo branco, metade humano e metade divino, temos a história inteira. Um cavalo branco é sempre o símbolo da divindade. Em Sagitário, como em Escorpião, Hércules assumiu e completou o trabalho iniciado em Áries.
   Em Áries ele lidava com o pensamento em sua fonte, neste signo ele demonstra completo controle do pensamento e da palavra. No momento em que nos libertamos da ilusão, entramos em Sagitário e vemos o objetivo. Nós nunca o víramos antes, porque entre nós e o objetivo sempre se encontra aquela nuvem de pensamentos forma que nos impede de vê-la. Falamos sobre amor espiritual, devoção aos irmãos mais velhos da raça, á alma, e como estamos ocupados com três pensamentos, nós construímos nuvens de pensamentos forma porque estamos pensando, e ao pensarmos construímos. Portanto, construímos à nossa volta uma tal nuvem de pensamentos forma sobre nossas aspirações que não vemos nossas metas.
   Sagitário é o signo preparatório para Capricórnio, que em alguns livros é chamado “o signo do silêncio”, porque esta é a lição de Sagitário: restrição da fala através do controle do pensamento, porque depois de abandonar o uso das formas comuns da fala, tais como falar da vida alheia, então será preciso aprender a silenciar sobre a vida da alma, muita conversa sobre as coisas para as quais as pessoas podem não estar preparadas. O reto uso do pensamento, o calar-se, e a consequente inofensividade no plano físico, resultam na libertação, nós somos conservados na unidade humana não por alguma força externa que nos mantenha ali, mas pelo que nós mesmos temos dito e feito. No momento em que não mantivermos mais relações erradas com as pessoas, pelas coisas que dissemos quando deveríamos nos manter calados, no momento em que paramos de pensar sobre as pessoas, coisas que não deveríamos pensar, pouco a pouco aqueles laços que nos prendem à existência planetária são rompidos, ficamos livres e escalamos a montanha como o bode em Capricórnio.
   Em Sagitário, o primeiro dos grandes signos universais, vamos a verdade como o todo quando usamos as flechas do pensamento correto. Todas as vária verdades formam uma Verdade, é disso que nos damos conta em Sagitário.

Bibliografia: Os 12 Trabalhos de Hércules -  Alice A. Bailey


Escorpião, o 8º Trabalho de Hércules

     Escorpião, o 8º Trabalho de Hércules

“A destruição da Hidra de Lerna” - O controle e superação dos desejos. A maior prova


   Conta a lenda que na antiga terra de Argos ocorreu uma seca. Amímona que reinava nessas terras, procurou ajuda de Netuno. Este reconheceu que se batesse numa rocha, e quando isto foi feito, começaram a ocorrer três correntes cristalinas, mas logo uma hidra fez ali sua morada. O Mestre disse a Hércules: “Para além do Rio Amímona, fica o fétido pântano de Lerna, onde está a hidra, uma praga para as redondezas. Nove cabeças tem esta criatura, e uma delas é imortal. Prepara-te para lutar com essa asquerosa fera e não penses que os meios comuns serão de valia; se uma cabeça for destruída, duas aparecerão em seu lugar.”.
   Hércules estava ansioso e antes de partir, seu Mestre ainda lhe disse: “Uma palavra de aconselhamento só, posso dar. Nós nos elevamos nos ajoelhando; conquistamos nos rendendo, ganhamos, dando. Vai ó filho de Deus e filho do homem, e conquista”.
   Chegando ao estagnado pântano de Lerna, que era um charco que desanimava quem dele se aproximasse e cujo mau cheiro poluía toda a atmosfera em um raio de sete milhas. Hércules teve que fazer uma pausa, pois o simples odor por pouco o derrotava. As areias movediças eram uma ameaça e mais uma vez Hércules rapidamente retirou seus pés para não ser sugado para dentro da terra que cedia. Finalmente ele descobriu onde se ocultava a hidra.
   Numa caverna de noite perpétua vivia a fera, porém não se mostrava e Hércules inutilmente vigiava. Recorrendo a um estratagema, ele embebeu suas setas em piche ardente e as despejou diretamente para o interior da caverna em que habitava a horrenda fera. Uma enorme agitação se seguiu e a hidra com suas nove zangadas cabeças emergiu, chicoteando a água e a lama furiosamente. Com três braças de altura, algo tão feio como se tivesse sido feito de todos os piores pensamentos concebidos desde o começo dos tempos.    A hidra atacou, procurando envolver os pés de Hércules que saltou e lhe deu um golpe tão severo que logo decepou uma das cabeças, mas mal a horrorosa cabeça tocou o solo, duas cresceram em seu lugar. Repetidamente Hércules atacou o monstro, mas ele ficava cada vez mais forte. Então Hércules se ajoelhou, agarrou a hidra com suas mãos nuas e a ergueu.
Suspensa no ar sua força diminuiu. De joelhos, então, ele sustentou a hidra no alto, acima dele, para que o ar purificado e a luz pudessem fazer seu efeito. O monstro, forte na escuridão e no lodo, logo perdeu sua força quando os raios de sol e o toque no vento a atingiram. As nove cabeças caíram, mas somente quando elas jaziam sem vida, Hércules percebeu a cabeça mística que era imortal. Ele decepou essa cabeça e a enterrou, ainda sibilante, sob uma rocha.
   Este Trabalho está associado ao signo de Escorpião. O verdadeiro teste de Escorpião nunca tem lugar antes que o estudante fique coordenado, antes que a mente, a natureza emocional e a natureza física estejam funcionando como uma unidade. Então o homem entra em Escorpião onde seu equilíbrio é subvertido, e o desejo parece exagerado, quando ele pensava que se havia livrado dele. Aqui ele descobre que a personalidade não deve ser morta, nem pisoteada, ela deve ser reconhecida como um triplo canal de expressão para três aspectos divinos. Tudo depende se nós usamos a tríplice personalidade para fins egoístas.
   Em Escorpião o Ego está determinado a matar o pequenino ego para ensinar-lhe o significado da ressurreição. Em Escorpião o homem é testado para ver quem vai triunfar., o Eu Superior ou o eu inferior, o real ou o irreal, a verdade ou a ilusão. Foi dito a Hércules que entrasse a hidra de nove cabeças que vivia num fétido e úmido pântano. Este monstro tem sua contraparte que habita nas cavernas da mente, nas regiões subterrâneas do subconsciente, ora calma, ora explodindo em tumultuado frenesi, a fera estabelece morada permanente. Não é fácil descobrir sua existência e lutar contra um inimigo tão formidável, é de fato uma tarefa heroica para o homem. Uma cabeça decepada, e eis que outra cresce em seu lugar. Toda vez que um desejo ou pensamento baixo é eliminado, outro toma seu lugar. Hércules fez três coisas: ele reconhece a existência da hidra, procura pacientemente por ela, e finalmente a destrói. É necessário ter discriminação para reconhecer sua existência, paciência para descobrir sua toca, humildade para trazer os lodosos fragmentos do inconsciente à superfície, e expô-los a luz da sabedoria.
   Enquanto ele lutou no pântano, em meio à lama e às areias movediças, ele foi incapaz de eliminar a hidra. Ele teve que erguer o monstro no ar, isto é, deslocar seu problema para outra dimensão para poder resolvê-lo. Com toda humildade, ajoelhando-se na alma, ele teve de examinar seu dilema à luz da sabedoria e na elevada atmosfera, por mais terrível que possa parece, possui uma joia de grande valor.
   Nenhuma tentativa para dominar a natureza inferior e descobrir aquela joia, jamais será fútil. A cabeça imortal, separada do corpo da hidra, é sepultada sob uma rocha, isto implica que a energia concentrada que cria um problema, permanece, purificada, redirecionada e aumentada após a vitória de ser conquistada. Tal poder deve ser corretamente canalizado e controlado. Sob a rocha da vontade persistente, a cabeça da hidra representa um dos problemas que assaltam a pessoa corajosa que busca conquistar o domínio de si mesmo.
   Três destas cabeças simbolizam os apetites associados com o sexo, o conforto e o dinheiro. Os próximos três dizem respeito as paixões do medo, do ódio e do desejo de poder. As últimas três cabeças representam os vícios da mente não iluminada, orgulho, segregação e crueldade.
   As dimensões das tarefas que Hércules empreendeu são assim claramente aparentes. Ele teve de aprender a arte de transmutar as energias que tão frequentemente precipitam os seres humanos em tragédias. As nove forças que desde os princípios dos tempos trouxeram destruição entre os homens, tiveram que ser redirecionadas e transmutadas.
   Ainda aspiramos à conquista espiritual que Hércules alcançou. Os problemas que surgem do mau uso da energia conhecida como sexual, ocupam nossa atenção a cada instante. O amor ao conforto, à luxúria e as posses externas ainda cresce. A luta pelo dinheiro como um fim em vez de um meio, reduz as vidas de incontáveis homens e mulheres. Assim a tarefa de destruir as primeiras três cabeças continua a desafiar as forças da humanidade, milhares de anos depois de Hércules haver realizado seu extraordinário feito.
   As três qualidades do caráter que Hércules teria que expressar eram a humildade, a coragem e a discriminação. Humildade para ver seu compromisso objetivamente e reconhecer suas falhas, coragem para atacar o monstro que jazia enroscado nas raízes de sua natureza, discriminação para descobrir uma técnica para enfrentar seu inimigo mortal.

Blibliografia: Os 12 Trabalhos de Hércules - Alice A. Bailey

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Libra, o 7º Trabalho de Hércules

             Libra, o 7º Trabalho de Hércules

  “A captura do Javali de Erimanto” - A aquisição do equilíbrio dos opostos. A segunda iniciação

   Neste sétimo Trabalho, Hércules é incumbido de capturar o Javali de Erimanto, sem contudo saber que este trabalho era na verdade uma dupla prova: a prova da amizade rara e da coragem desmedida.
Foi- lhe recomendado que procurasse pelo javali e apolo lhe deu um arco novo para usar, porém Hécules disse que não o levaria consigo. Ele disse: “Eu não o levarei comigo neste trabalho, pois temo matar. Em meu último trabalho nas praias do grande mar, eu matei. Desta vez não farei isto. Deixo aqui o arco”. E assim desarmado, a não ser por sua clava, ele escalou a montanha, procurando pelo javali e encontrando um espetáculo de medo e terror por toda a parte.
   Mais e mais ele subia, então encontrou um amigo, Pholos, que fazia parte de um grupo de centauros, conhecidos dos deuses. Eles pararam e conversavam, por algum tempo Hércules se esquceu do objetivo de sua busca. Pholos convidou Hércules para furar um barril de vinho, que não era dele, mas do grupo de centauros e que viera dos deuses, com a ordem de que eles jamais deveriam furar o barril, a não ser quando todos os centauros estivessem presentes, já que ele pertencia ao grupo. Mas Hércules e Pholos o abriram na ausência de seus irmãos, convidando Cherion, um outro sábio centauro, para se juntar a eles. Assim ele fez, e os três beberam e festejaram, se embebedaram e fizeram muito ruído que foram ouvidos pelos outros centauros.
   Enraivecidos eles vieram e uma feroz batalha se seguiu, e uma vez mais Hércules se fez mensageiro da morte e matou seus amigos, a dupla de centauros que ele antes havia bebido. E, enquanto os demais centauros com altos lamentos choravam suas perdas, Hércules escapou novamente para as altas montanhas e reiniciou sua busca pelo javali.
   Até o limite das neves ele avançou, seguindo a pista do animal, mas não o encontrava. Depois de muito pensar, Hércules colocou uma armadilha habilidosamente oculta, e esperou nas sombras pela chegada do javali. Quando a aurora surgiu, o saiu da sua toca levando por uma fome atroz e caiu na armadilha de Hécules que, no tempo devido, libertou a fera selvagem, tornando-a prisioneira de sua habilidade. Ele lutou com o javali e o domesticou, e fê-lo fazer o que lhe determinava e seguir para onde Hércules desejava. Do pico nevado da alta montanha Hércules desceu, regozijando-se no caminho, levando adiante de si, montanha abaixo, o feroz, contudo domesticado javali. Pelas duas pernas traseiras ele conduzia o javali, e todos na montanha se riam ao ver o espetáculo. E todos os que encontravam Hércules, cantando e dançando pelo caminho, também riam ao ver sua caminhada. E todos na cidade riram ao ver o espetáculo: o exausto javali e o homem cantando e rindo. Quando reencontrou seu Mestre, este lhe disse: “O Sétimo Trabalho foi completado. Medita sobre as lições do passado, reflete sobre as provas. Por duas vezes mataste a quem amavas. Aprende por que”. E     Hércules permaneceu onde estava, preparando-se para o que mais tarde ocorreria: a prova suprema.
   Este Sétimo Trabalho está associado ao signo de Libra, que é o signo mais difícil de compreender. É o primeiro signo que não tem um símbolo humano ou animal, mas sustentando a balança, está a figura da Justiça, uma mulher com os olhos vendados. Ele se apresenta com muitos paradoxos e extremos, dependendo de se o discípulo que se voltou conscientemente para o caminho de volta ao “Criador”, segue o Zodíaco segundo os ponteiros do relógio, ou no caminho inverso. Diz-se que é um interlúdio, comparável com a silenciosa escuta na meditação; um tempo de cobrança do passado.
   Neste ponto percebemos como o equilíbrio dos pares de opostos deve se atingido. A balança pode oscilar do preconceito até a justiça ou julgamento; da dura estupidez à sabedoria entusiástica. Neste majestoso signo de equilíbrio e justiça nós verificamos que a prova termina numa explosão de riso, o único trabalho em que isto acontece.
   Descendo a montanha veio Hércules, empurrando o javali como um carrinho de mão, cantando e rindo, e todos os que o observavam riam com ele prazerosamente; e isto apesar do fato que novamente Hércules cometera um grave erro. Foi-lhe recomendado que guardasse tempo para comer e ele desperdiçou-o numa bebedeira com dois velhos amigos centauros. Eles furaram o barril de vinho que somente deveria ser aberto por e para o grupo.
   Muito poderia se dizer sobre isto, mas é mais válida que cada um medite e encontre suas próprias respostas. Também devemos pensar que enquanto Hércules tomou todas as precauções para não matar o javali, matou os dois amigos. Assim a tentação nos persegue quando pensamos que conseguimos já haver removido as ciladas do caminho. Mas quando o Mestre o repreende o faz levemente. Neste Trabalho não houve louvor especial, ele apenas passou pela tarefa, mas o Trabalho foi declarado terminado. Justiça com misericórdia: “Se Tu ó Deus, fordes extremo para marcar o que é feito de maneira imprópria, oh Senhor, quem poderá habitá-lo?”


Bibliografia: Os 12 Trabalhos de Hércules - Alice A. Bailey




domingo, 10 de novembro de 2013

Virgem, o 6º Trabalho de Hércules

      Virgem, o 6º Trabalho de Hércules

        “A tomada do cinturão de Hipólita” - A preparação do discípulo, a  primeira iniciação

   Este trabalho leva Hércules até as praias onde vivia a grande rainha, que reinava sobre todas as mulheres do mundo então conhecidas. Elas eram suas vassalas e guerreiras ousadas. Nesse reino não haviam homens, só as mulheres reunidas em torno da rainha, Hipólita. A ela pertencia o cinturão que lhe fora dado por Vênus, a rainha do amor. Aquele cinturão era um símbolo da unidade conquistada através da luta, do conflito, da aspiração, da maternidade e da sagrada Criança para quem toda a vida humana esta verdadeiramente voltada. “Ouvi dizer:”, disse Hipólita às guerreiras, “que está a caminho um guerreiro cujo nome é Hércules, um filho do homem e no entanto um filho de Deus; a ele devo entregar este cinturão que uso. Deverei obedecer a ordem, oh Amazonas, ou deveremos desobedecer a palavra de Deus”? Enquanto as Amazonas refletiam sobre o problema, foi passada uma informação dizendo que ele se havia adiantado e estava lá, esperando para tomar o sagrado cinturão da rainha guerreira. Hipólita dirigiu-se ao encontro de Hércules. Ele lutou com ela, combateu-a, e não ouviu as palavras sensatas que ela procurava dizer. Arrancou-lhe o cinturão, somente para deparar-se com as mãos delas estendidas e lhe oferecendo a dádiva, oferecendo o símbolo da unidade e do amor, de sacrifício e fé. Entretanto, tomando-o, ele matou quem lhe dera o que ele exigira.
   Enquanto estava ao lado da rainha agonizante, consternado pelo que fizera, ele ouviu a voz do Mestre que dizia: “Meu filho, por que matar aquilo que é necessário, próximo e caro? Por que matar a quem você ama? A doadora das boas dádivas, guardião do que é possível? Por que matar a mãe da Criança sagrada? Novamente registramos um fracasso (recorde-se da morte de Abderis no 1º Trabalho). Novamente você não compreendeu. Ou redimirá este momento, ou não verá mais a minha face”. Hércules partiu em silêncio deixando as mulheres lamentando a perda da liderança e do amor. Quando ele chegou às costas do grande mar, perto da praia rochosa ele viu um monstro das profundezas trazendo presa as suas mandíbulas a pobre Hesione. Seus gritos e suspiros elevaram-se aos céus e feriram os ouvidos de Hércules, perdido em remorsos e sem saber que caminho seguir.
   Dirigiu-se prontamente em sua ajuda quando ela desapareceu nas cavernosas entranhas da serpente marinha, mas esquecendo-se de si mesmo, Hércules nadou até o monstro e desceu até o fundo de seu estômago onde encontrou Hesione. Com sua mão esquerda ela o agarrou e sustentou junto a si, enquanto com sua espada ele esforçou-se para abrir caminho para fora do ventre da serpente até a luz do dia. E assim ele a salvou, equilibrando seu feito anterior de morte. Pois é assim a vida: um ato de morte, um ato de vida, e assim os filhos dos homens, que são filhos de Deus, aprendem a sabedoria, o equilíbrio e o caminho para andar com Deus.
   Este trabalho está associado a Virgem, signo onde a consciência crística é concebida e nutrida através do período de gestação até que por fim em Peixes, o signo oposto, o salvador mundial nasce.
   Nota-se que nos dois Trabalhos onde Hércules vence, são os dois onde ele se saiu mal justamente com seus opostos femininos, as éguas bravias e a rainha das Amazonas.
   Assim a guerra entre os sexos é de origem antiga, está inerente na dualidade da humanidade. O primeiro passo para a espiritualidade, a alma é chamada de filha da mente, e Virgem é regida por Mercúrio, que leva a energia da mente.
   Foi este pecado o maior de toda a sua peregrinação, o que Hércules cometeu em Virgem, quando ele não compreendeu que a rainha das Amazonas devia ser redimida pela unidade, não morta.
   Ainda cometemos o erro de Hércules, quando esquecemos que o triângulo da Trindade é um triângulo equilátero com todos os ângulos sendo de igual importância para a consumação do Plano Divino. É em Virgem, após a completa individualização em Leão, que o primeiro passo para a missão do espírito na matéria é dado, a subordinação da vida da forma à vontade do Deus que nela habita.

Bibliografia: Os 12 Trabalhos de Hércules - Alice A. Bailey

sábado, 9 de novembro de 2013

Leão, o 5º Trabalho de Hércules

          Leão, o 5º Trabalho de Hércules

  “A morte do Leão de Neméia” - Aprender a usar o poder e a coragem

   Hércules descansando de seus trabalhos, desconhecia a próxima prova. Sentia-se forte e passava os dias perseguindo a corça sagrada até o templo do Senhor. Chegou um memento em que a tímida corça conheceu bem o caçador que a perseguia, e mansamente submeteu-se ao seu comando.
Assim, muitas e muitas vezes, ele carregava-a junto ao coração e dirigia-se ao templo do Senhor. Assim descansava o nosso herói.
   Foi então que lhe enviaram o 5º Trabalho e para executá-lo, Hércules armou-se até os dentes, enquanto os Deses observavam-lhe os passos e as mãos firmes e o olhar decidido. Porém, no fundo de seu coração havia dúvida. “Que estou fazendo aqui”? Disse ele. “Qual é a prova, e por que razão estou assim armado”? Soou um chamado, oh Hércules, um chamado de profunda angustia. Seus ouvidos externos não responderam a esse chamado, e contudo, o ouvido interno conhece bem as necessidades, pois ouviu uma voz, sim, muitas vezes, falando-te da necessidade e incitando-te a ousar mais. O povo de Neméia procura tua ajuda, eles estão sofrendo muito. Notícias de tuas proezas se espalharam. Eles te procuram para que mates o leão que devasta sua terra e vítima seus homens”. “É dele este som selvagem que eu escuto? É o rugido de um leão atravessando o ar que estou ouvindo”?, perguntou Hércules. E o Mestre respondeu-lhe: “Vai. Procura o leão que devasta as terras que se estendem além.   O povo desta terra vive silenciosamente a portas fechadas, não ousam sair para as suas tarefas; não cultivam a terra, não semeiam. De norte a sul, de leste a oeste ronda o leão, e nessa ronda furtiva apodera-se de todos os que cruzam o seu caminho. Seu terrível rugido é ouvido durante a noite e todos tremem por trás das portas trancadas. Que farás tu, Hércules”? E Hércules, o ouvido atento, respondeu à necessidade. Sobre o caminho ele depositou suas armas, retendo para seu uso o tacape que cortara com suas próprias mãos de uma tenra e verdejante árvore.
   Ele acreditava que o belo conjunto de armas tornavam-no pesado e retardariam seus passos. Não precisaria de nada mais, a não ser o seu forte tacape, e como ele e o seu coração destemido, caminharia a procura do leão. Mandou avisar o povo de Neméia que estava a caminho e disse que expulsassem o medo de seus corações.
   Hércules andou muito procurando o leão. Encontrou os habitantes de Neméia escondidos atrás das portas fechadas, a não ser por alguns poucos que se aventuravam a sair, movidos pela necessidade ou pelo desespero. A princípio aclamavam Hércules com júbilo, depois com dúvidas ao verem que ele estava desarmado. Diziam-lhe que fosse buscar suas armas porque o leão era perigoso e forte, porém ele não lhes respondia e continuava seguindo o rastro e o rugido do leão. Perguntava aqui e ali onde estava o leão e alguém lhe disse que o havia visto perto de sua toca e Hércules para lá se dirigiu, com medo,mas destemidamente; sozinho, contudo não solitário, pois haviam outros que acompanhavam seus passos, esperançosos. Repentinamente, ele viu o leão, que ao ver Hércules como um inimigo que não demonstrava medo, rugiu violentamente fazendo tremer as árvores. Hércules correu ao encontro do leão, gritando loucamente. O animal parou estupefato diante de uma proeza que ele jamais vira, pois Hércules continuava avançando. De repente o leão deu meia volta e correu, à frente de Hércules e desapareceu misteriosamente. Hércules vasculhou todo o Caminho cuidadosamente até que descobriu uma caverna de onde partiu um trovejante rugido. Ele penetrou na caverna escura e saiu do outro lado, para a luz do dia, sem encontrar o leão. Ali parado ouviu o leão às suas costas, na a sua frente. “Que farei”? pensou, “esta caverna tem duas entradas e enquanto eu entro por uma, o leão sai por outra e entra por aquela por onde acabei de passar. Que farei”? “Não tenho armas. Como matar o leão para salvar o povo de suas garras? Que farei?”
   Enquanto pensava, olhava ao redor buscando uma solução e ouvia o rugido do leão. Então viu algumas pilhas de toras e gravetos em profusão. Puxou-os e arrastou-os com toda a sua força, bloqueou ambas as saídas, encerrando-se a si próprio e ao leão dentro da caverna. Com as mãos nuas agarrou o leão, prendendo-o ao seu próprio coração, apertando-lhe o pescoço. O hálito do leão queimava-lhe o rosto, mas sem afrouxar suas mãos mantinha-o preso. Os rugidos tornaram-se cada vez mais débeis, seu corpo amolecia e escorregava. E assim, sem armas, com suas próprias mãos e sua própria força, ele matou o leão, tirou-lhe a pele e mostrou ao povo do lado de fora da caverna. /em triunfo, Hércules retomou ao seu Mestre, depositou a pele do leão ao seus pés e teve permissão para usá-la em substituição à velha e gasta pele que usava.
   Este trabalho se associa ao signo de Leão. O 5º Trabalho, o quinto signo. Este é o trabalho mais conhecido de Hércules e se distingue por ser o de número cinco, que contém em si mesmo um profundo significado.
   No ponto de vista do ocultismo, o número cinco representa o homem, porque o homem é um divino filho de Deus, mais o quaternário que consiste na sua natureza quádrupla inferior; o corpo mental, o corpo emocional, o corpo vital e o corpo físico.
   Em Áries, a alma tomou para si o tipo de matéria que lhe permitiria entrar em relação com o mundo das ideias. Revestiu-se de um envólucro mental. O homem tornou-se alma pensante. Em Touro, fez o contato com o mundo do desejo e seguiu-se um processo idêntico. Fez contato com o mundo do sentimento e da emoção e o homem tornou-se uma alma pensante. Em Gêmeos foi construído u8m novo corpo de energia vital, através da reunião das energias da alma e da matéria, e o homem tornou-se uma alma vivente. Em Câncer, que é o signo do nascimento físico e da identificação da unidade com a massa, o trabalho da encarnação foi completado e a natureza quádrupla manifestada. Mas é em Leão que o homem se torna a “estrela de cinco pontas”, pois essa estrela é o símbolo da individualização, da sua humanidade, do ser humano que sabe que é um indivíduo e toma consciência de si mesmo como “Eu”. Aqui a relação entre o Quinto Mandamento com o Quinto Trabalho e o quinto signo torna-se clara: “Honra teu pai e tua mãe para que teus dias se tornem longos na terra que o Senhor, teu Deus, te deu”, pois em Leão, o Pai-Espírito e a Mãe-Matéria se unem no indivíduo e dessa união resulta aquela entidade consciente que é a alma. Leão é também o signo no qual o homem autoconsciente começa seu treinamento para a iniciação. Quando o trabalho deste signo termina, começa o treinamento específico da iniciação, em Capricórnio.

   O Leão de Neméia representa essencialmente a personalidade coordenada, dominante. Aqui o aspirante, o Leão de Judah, tem que matar o leão de sua personalidade. Tendo emergido da massa, e desenvolvido a individualidade, ele tem que matar aquilo que criou; tem que tornar inútil aquilo que fora grande agente protetor até o tempo atual. O egoísmo, o instinto de autoproteção, tem que dar lugar ao altruísmo, que é literalmente a subordinação do ego ao todo.

Bibliografia: Os 12 Trabalhos de Hércules - Alice A. Bailey    

Câncer, o 4º Trabalho de Hércules

       Câncer, o 4º Trabalho de Hércules

          “A captura da corça” - O desenvolvimento da intuição


   Hércules foi incumbido de capturar a corça de galhada de ouro. Olhando ao redor de si, viu que, ao longe, erguia-se o Templo do Deus-Sol. No alto de uma colina próxima viu o esguio cervo, objeto de seu quarto trabalho. Foi então que Ártemis, que tem sua morada na Lua, disse a Hércules, em tom de advertência: “A corça é minha, portanto não toque nela.        Por longos anos eu a alimentei e cuidei dela. O cervo é meu e meu deve permanecer”, disse ela. Então, de um salto surgiu Diana, a caçadora dos céus, a filha do Sol. Pés calçados de sandálias, em passos largos movendo-se na direção ao cervo, também ela reclamou sua posse. “Não, Ártemis, belíssima donzela, não; o cervo é meu e meu deve permanecer, disse ela. “Até hoje ele era jovem demais, mas agora ele pode ser útil. A corça de galhada de ouro é minha, e minha permanecerá.
   Hércules observava e ouvia a disputa e se perguntava porque as donzelas lutavam pela posse da corça. Uma outra voz lhe atingiu os ouvidos, uma voz de comando que dizia: “A corça não pertence a nenhuma das duas donzelas, oh Hércules, mas sim ao Deus cujo santuário podes ver sobre aquele monte distante. Salve-a, e leva-a para a segurança do santuário, e deixe-a lá. Coisa simples de fazer, oh filho do homem, contudo, e reflete bem sobre as minhas palavras; sendo tu filho de Deus, deves ir a sua procura e agarrar a corça. Vai”. De um salto Hércules lançou-se a caçada que o esperava. A distância, as donzelas em disputa tudo observavam.
   Ártemis, a bela, apoiada na Lua e Diana, a bela caçadora dos bosques de Deus, seguiam os movimentos da corça e, quando surgiu uma oportunidade, ambas iludiam Hércules, procurando anular seus esforços. Ele perseguiu a corça de um ponto a outro, e cada uma delas sutilmente o enganavam. E assim o fizeram muitas e muitas vezes. Durante um ano inteiro, o filho do homem, que é um filho de Deus, segui a corça por toda parte, captando rápidos vislumbres de sua forma, apenas para descobrir que ela desaparecera na segurança dos densos bosques. Correndo de uma colina a outra, de bosque em bosque,       Hércules a perseguiu até que à margem de uma tranquila lagoa, estendida sobre a relva ainda não pisada, ele viu-a a dormir, exausta pela fuga. Com passos silenciosos, mão estendida e olhar firme, ele lançou uma flecha, ferindo-a no pé. Reunindo toda vontade de que estava possuído, aproximou-se da corça, e ainda assim ela, ela não se moveu. Assim, ele foi até ela, tomou-a nos braços, e enlaçou-a junto ao seu coração, enquanto Ártemis e a bela Diana o observavam. “Terminou a busca” brandou ele. “Para a escuridão do norte fui levado e não encontrei a corça. Lutei para abrir meu caminho através de cerradas, profundas matas, mas não encontrei a corça; e por lúgubres planícies e áridas regiões e selvagens desertos, eu persegui a corça, e ainda assim não a encontrei. A cada ponto alcançado, as donzelas desviavam meus passos, porém eu persisti, e agora a corça é minha! A corça é minha”!
   “Não, não é, oh Hércules” disse a voz do Senhor. “A corça não pertence a um filho do homem, mesmo embora sendo um filho de Deus. Carrega a corça para aquele distante santuário onde habitam os filhos de Deus e deixa-a lá com eles. “Por que tem que ser assim, oh Senhor? A corça é minha; minha porque muito peregrinei à sua procura., e mais uma vez minha, porque a carrego junto do coração”. “E não és tu um filho de Deus, embora filho do homem? E não é o santuário também a tua morada? E não compartilhas tu da vida de todos aqueles que lá habitam? Leva para o santuário de Micenas, levou Hércules a corça; carregou-a para o centro do lugar santo e lá a depositou. E ao deitá-la la diante do Senhor, notou seu ferimento no pé, a ferida causada pela flecha do arco que ele possuíra e usara. A corça era sua por direito de caça. A corça era sua por direito de habilidade e destreza de seu braço. “Portanto a corça é duplamente minha.”. disse ele. Porém, Ártemis, que se achava no pátio externo do sacratíssimo lugar ouviu seu brado de vitória e disse: “Não, não é. A corça é minha, e sempre foi minha. Eu vi sua forma refletida na água; eu ouvi seus passos pelos caminhos da terra; eu sei que a corça é minha, pois todas as formas são minhas”.
   Do lugar sagrado, falou o Deus Sol: “A corça é minha, não tua, oh Ártemis, não podes entrar aqui, mas sabes que eu digo a verdade. Diana, a bela caçadora do Senhor, pode entrar por um momento e contar-me o que vê”. A caçadora do Senhor entrou por um momento no santuário e viu a forma daquilo que fora a corça, jazendo frente ao altar, parecendo morta. E com tristeza disse: “Mas se seu espírito permanece contigo, oh grande Apolo, nobre filho de Deus, então sabes que a corça está morta. A corça está morta pelo homem que é um filho do homem, embora seja um filho de Deus. Por que pode ele passar para dentro do santuário enquanto nós esperamos pela corça lá fora”? “Por que ele carregou a corça em seus braços, junto ao coração, e a corça encontra repouso no lugar sagrado, e também o homem. Todos homens são meus. A corça é igualmente minha; não vossa, nem do homem, mas minha”. Hércules então diz ao Mestre: “cumpri a tarefa indicada. Foi simples, a não ser pelo longo tempo gasto e o cansaço. Não dei ouvidos àqueles que faziam exigências nem vacilei no Caminho. A corça estás no lugar sagrado, junto ao coração de Deus, da mesma forma, que na hora da necessidade, está junto ao meu coração”. “Vai olhar de novo, oh Hércules, meu filho. E Hécules obedeceu.
   Ao longe se descortinavam os belos contornos da região e no horizonte distante erguia-se o templo do Senhor, o santuário do Deus-Sol. E numa colina próxima via-se uma esguia corça. “Realizei a prova, oh Mestre? A corça está de volta sobre a colina, onde eu a vi anteriormente”. E o Mestre respondeu: “Muitas e muitas vezes precisam todos os filhos dos homens, que são os filhos de Deus, sair em busca da corça dos cornos de ouro e carregá-la para o lugar sagrado, muitas e muitas vezes. O quarto trabalho está terminado, e devido à natureza da prova e devido a natureza da corça, a busca tem que ser frequente e não te esqueças disto: medita sobre a lição aprendida”.
   Este trabalho é associado ao signo de Câncer. Nos quatro primeiros signos o aspirante prepara seu equipamento e aprende a utilizá-lo. Em Áries ele se apossa de sua mente e procura submetê-la, aprendendo o controle mental. Em Touro, “a mãe da iluminação”, ele recebe o primeiro lampejo daquela luz espiritual cujo brilho aumentará progressivamente à medida que ele se aproxima de sua meta. Em Gêmeos ele não só se apercebe dos dois lados de sua natureza, como o aspecto imortal começa a crescer às custas do mortal. Agora ,em Câncer, ele tem seu primeiro contato com aquele sentido mais universal que é o aspecto superior da consciência de massa. Equipado com uma mente controlada, com uma capacidade para registrar a iluminação, habilidade para estabelecer contato com o seu aspecto imortal e reconhecer intuitivamente o reino do espírito, ele está pronto para o trabalho maior.
   Vimos que a corça era sagrada para Ártemis como o instinto animal, para Diana como o intelecto e para Apolo como a intuição. Cada um deles via nela um aspecto, porém Hércules, o caçador, viu nela algo mais: a intuição espiritual, esta extensão da consciência, esse altamente desenvolvido sentido de viva percepção que dá aos discípulos a visão de novos campos de contato e lhe revela um novo mundo.
   Ele tem que aprender a usar o intelecto sob a influência de Diana, e por meio dele entrar em sintonia com o mundo das ideias e da pesquisa humana. Tem que aprender a levar essa capacidade que possui para o templo do Senhor e lá, vê-la transmutada em intuição, e por meio da intuição tomar consciência das coisas do espírito e daquelas realidades espirituais que nem o instinto, nem o intelecto lhe podem revelar. O que frequentemente nos esquecemos é que, não existem distinções nítidas entre os vários aspectos da natureza do homem, mas que todas são fases de uma mesma realidade. As palavras instinto, intelecto e intuição são apenas aspectos variados da consciência e da resposta ao meio e ao mundo, no qual o homem se encontra.




Bibliografia: Os Trabalhos de Hércules – Alice A Bailey

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Gêmeos o 3º Trabalho de Hércules


        Gêmeos, o 3º Trabalho de Hércules

        “Os Pomos de Ouro de Espérides” - O conhecimento de si próprio


   Num longínquo país nascia a árvore sagrada, a árvore da sabedoria, que produzia as maçãs de ouro de Espérides. Estas frutas eram desejadas por todos os filhos dos homens, que se reconheciam igualmente como filhos de Deus. Haviam duas coisas que Hércules conhecia sobre a árvore sagrada: que ela era carinhosamente guardada por três donzelas, e que um dragão de cem cabeças protegia as donzelas e a árvore.
   Hércules pôs-se a caminho, cheio de confiança, seguro de si, de sua sabedoria e sua força. Seguiu em direção ao norte e percorreu a Terra em busca da árvore sagrada, mas não a encontrou. Perguntava a todos os homens que encontrava, mas nenhum pode guiá-lo no caminho, nenhum conhecia o lugar. O tempo passava e ele ainda procurava, vagando de um lado para outro, frequentemente retornando sobre os próprios passos. Triste e desencorajado, ainda assim procurava por toda a parte.
   Não encontrando a árvore sagrada no caminho do norte, Hércules partiu para o sul, e no lugar da escuridão continuou sua busca. Sonhou com um rápido sucesso, mas Anteu, a serpente, atravessou seu caminho e lutou com ele, vencendo-o a cada investida. “Ela guarda a árvore”, disse Hércules, “isto me disseram, portanto a árvore deve estar por perto. Preciso derrubar sua guarda, e assim, destruindo-a, vencê-la e arrancar os frutos”. Contudo, lutando com todas as forças, ele não a vencia. “Onde está o meu erro?” Dizia Hércules. “Por que Anteu pode me vencer? Mesmo quando criança destruí uma serpente em meus braço. Com minhas próprias mãos a estrangulei. Por que o fracasso agora?” Lutando com todo o seu poder, ele agarrou a serpente em suas mãos e levantou-a no ar, longe do chão. E ele conseguiu o seu intento. Feliz, confiante, seguro de si e com nova coragem, Hércules continuou sua busca. Agora se voltou para o ocidente, e tomando esta direção, encontrou o fracasso.
   Atirou-se ao terceiro grande teste sem pensar e por muito tempo o fracasso atrasou seus passos. Lá ele encontrou Busires, o grande arqui-enganador, filho das águas e parente de Poseidon. Seu trabalho é trazer a ilusão aos filhos dos homens através de palavras de aparente sabedoria. Ele afirma conhecer a verdade e eles rapidamente acreditam. Ele diz palavras belas: “Eu sou o mestre. A mim é dado o conhecimento da verdade, aceita o meu modo de vida. Só eu sei, ninguém mais. Minha verdade é correta. Qualquer outra verdade é errônea e falsa. Fica comigo e salva-te.” E Hércules obedeceu, e a cada dia enfraquecia em seu caminho anterior, sua força estava minada. Ele amava Busires e aceitava tudo o que ele dizia, tornando-se cada vez mais fraco. Até que chegou o dia em que seu amado mestre o amarrou a um altar, e lá o manteve por um ano inteiro.
   Repentinamente, um dia, quando lutava para se libertar, e lentamente percebia quem Busires realmente era, palavras que ouvira a muito tempo lhe vieram à mente: “A verdade está dentro de ti mesmo. No teu interior há um poder mais elevado, força e sabedoria. Volta para teu interior e evoca a força que existe, o poder que é herança de todos os filhos de Deus”. Com a força que é a força de todos os filhos de Deus, ele rompeu as amarras, agarrou o falso mestre e prendeu-o no altar em seu lugar. Não disse uma palavra, apenar deixou-o lá para que aprendesse. Mais contido, embora cheio de indignações, Hércules percorreu longas distâncias sem rumo certo, prosseguindo sua busca. Aprendera muito durante o ano que passara preso ao altar e agora percorria o Caminho com maior sabedoria.
   Por todos os caminhos a busca prosseguiu. De norte a sul, de leste a oeste, foi procurada a árvore, mas não encontrada. Até que um dia, esgotado pela longa viagem, ele ouviu de um peregrino que passava no caminho, rumores de que perto de uma montanha distante a árvore seria encontrada, a primeira afirmação verdadeira que lhe havia sido feita até então. Assim, ele retrocedeu sobre seus passos em direção às altas montanhas do leste, e num certo dia, brilhante e ensolarado, ele viu o objeto de sua busca e então apressou o passo. “Agora tocarei a árvore sagrada”, gritou em meia à sua alegria, “montarei o dragão que a guarda”, verei as renomadas virgens e colherei as maçãs”. Mas novamente foi detido por um sentimento de profunda tristeza. A sua frente estava Atlas, cambaleante sob o peso do mundo às suas costas. Sua face estava vincada pelo sofrimento, seus membros vergados pela dor, seus olhos cerrados em agonia, ele não pedia auxílio, ele não viu Hércules, apenas lá estava, vincado pela dor, pelo peso dos mundos. Trêmulo, Hércules observava e avaliava o quanto havia de peso e de dor. E esqueceu sua busca.
   A árvore sagrada e as maçãs desapareceram de sua mente, e le só pensava como ajudar o gigante e isto sem demora, correu para ele e animadamente retirou a carga dos ombros de seu irmão, passando-a para suas próprias costas, aguentando ele mesmo a carga dos mundos. Cerrou os olhos, enrijecendo os músculos sob o esforço, e eis que a carga se desprendeu e lá estava ele livre, como Atlas, diante dele com as mãos estendidas num gesto de amor, o gigante ofereceu a Hércules as maçãs de ouro. Era o fim da busca. As virgens trouxeram mais maçãs de ouro e depositaram em suas mãos e Aegle, a bela virgem que é a glória do sol poente disse-lhe: “O Caminho que traz a nós é sempre marcado pelo serviço. Atos de amor são sinalizações do Caminho”. Então, Eritéia a guardião do portão que todos devem atravessar antes de se apresentarem diante do Criador, deu-lhe uma maça na qual estava escrito em lua a palavra de ouro, SERVIÇO. “Lembre-te disto” disse ela, “jamais te esqueças”. “Vai e serve, e a partir de hoje e para sempre, palmilha o caminho de todos os servidores do mundo”. “Então eu devolvo as maçãs para aqueles que virão”, disse Hércules, e retomou ao lugar de onde viera.
   Então ele ouviu a voz de seu Mestre, que lhe falava pela primeira vez desde que iniciara o Caminho: “Não houve retardamento, a regra que acelera todo o sucesso na senda escolhida é aprender a servir”.
Este é o Trabalho do signo de Gêmeos, relacionado com o trabalho ativo de todo o aspirante no plano físico à proporção que ele chega a uma compreensão de si mesmo. Antes de que este trabalho se torne possível, deve haver um ciclo de pensamento interior e anseio místico, aspiração à visão e um processo subjetivo desenvolvido, talvez por longo tempo, antes que o homem, no plano físico, comece o trabalho de unificação de alma e corpo. Este é o tema deste trabalho. É neste plano físico de realização, e no trabalho de obter as maçãs de ouro da sabedoria, que a prova real da sinceridade
do aspirante tem lugar. Um anseio de ser bom, um profundo desejo de averiguar os fatos da vida espiritual, esforços pela autodisciplina, oração e meditação, precedem quase que inevitavelmente, este real e tenaz esforço.
   Os visionários precisam se tornar homens de ação, o desejo tem que ser trazido para o mundo da concretização, e é nisto que se consiste a prova de Gêmeos. O plano físico é onde se obtém a experiência e onde as causas, que foram iniciadas no mundo do esforço mental tem que se manifestar e alcançar objetividade. É também onde o mecanismo de contato se desenvolve, onde pouco a pouco, os cinco sentidos se abrem ao ser humano, novos campos de percepção e lhe oferecem novas esferas de conquistas e realizações. É o lugar, portanto, onde o conhecimento é obtido, e onde este conhecimento deve ser transmutado em sabedoria.
   Conhecimento é a busca do sentido, enquanto a sabedoria é o onisciente e sintético conhecimento da alma. Contudo, sem compreensão na aplicação do conhecimento, nós perecemos, pois compreensão é a aplicação do conhecimento sob a luz da sabedoria aos problemas da vida e à conquista da meta.

Neste Trabalho, Hércules defronta-se com a tremenda tarefa de aproximar os dois polos de seu ser e coordenar, ou unificar, alma e corpo, de modo que a dualidade dê lugar à unidade e os pares de opostos se mesclem. 

Bibliografia: Os 12 Trabalhos de Hércules - Alice A. Bailey

Touro, o 2º Trabalho de Hércules

           Touro, O 2º Trabalho de Hércules

   “A captura do Touro de Creta” – O aprendizado sobre a natureza dos desejos

   Triste e só Hércules segue para realizar o 2º Trabalho. No horizonte erguia-se a ilha onde vivia o touro que ele deveria capturar. O touro era guardado por um labirinto que desnorteava os homens mais audazes: o labirinto de Minos, Rei de Creta, guardião do touro. Cruzando o oceano até a ilha ensolarada, Hércules iniciou sua tarefa de procurar o touro e conduzi-lo ao Lugar Sagrado, onde moram os homens de um olho só, os Ciclopes.
   De um lugar para o outro ele caçava o touro, seguindo a luz que brilhava na cabeça do animal. Sozinho ele o perseguiu, encurralou, capturou e montou, e assim, guiado pela luz atravessou o oceano até a terra dos Ciclopes que eram três e chamavam-se Brontes, Esterope e Arges. É importante observar que Minos, Rei de Greta, o dono do touro sagrado, possuía também o labirinto onde o Minotauro vivia, labirinto tem sido sempre símbolo de grande ilusão. A palavra “labirinto” significa algo confuso, que desnorteia e embaraça.
   A ilha de Creta com seu labirinto e o touro sagrado é um destacado símbolo de ilusão, estando separada do continente, e ilusão e confusão são características do eu separado, mas não da alma em seu próprio plano, onde as realidades grupais e as verdades universais constituem o seu reino.
   Para Hércules o touro representava o desejo animal, e os muitos aspectos dos desejos no mundo da forma, a totalidade dos quais constituem a grande ilusão.
O discípulo, tal como Hércules, é uma unidade separada do continente, símbolo do grupo, pelo mundo da ilusão e pelo labirinto em que vive.
   O touro do desejo tem que ser capturado, domado e perseguido de um ponto a outro da vida do eu separado, até o momento em que o aspirante possa fazer o que Hércules conseguiu, montar o touro. Montar o touro significa controlar. O touro não é sacrificado, ele é montado e dirigido, sob o domínio do homem.
   Este é o trabalho associado ao signo de Touro. A consumação do trabalho é realizada em Touro, e o resultado da influência deste signo é a glorificação da matéria e a subsequente iluminação por seu intermédio.
   Tudo que atualmente impede a glória, que é a alma, e o esplendor que emana de Deus dentro da forma, de brilhar em sua plenitude, é a matéria ou aspecto forma. Quando esta houver sido consagrada, purificada e espiritualizada, então a glória e a luz poderão realmente brilhar através dela.


Bibliografia: Os 12 Trabalhos de Hércules - Alice A. Bailey

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Áries, o 1º Trabalho de Hércules

            Áries, o 1º Trabalho de Hércules

   “A Captura da Éguas Antropófagas” - O Aprendizado do Controle da Mente

   Diomedes, filho de Ares, governa uma terra de pântanos onde criava éguas e cavalos para a guerra. Os cavalos eram selvagens e as éguas ferozes, diante dos quais os homens tremiam, pois elas matavam todos que cruzavam seu caminho e procriavam sem cessar cavalos extremamente selvagens e perversos.
   Hércules recebeu a tarefa de capturar as malignas éguas e dar fim as suas atrocidades. Para isto Hércules chamou seu inseparável amigo Abderis. Após planejar seus atos cuidadosamente, os dois seguiram os cavalos soltos pelo pântano da região e, finalmente, encurralaram as éguas bravias num campo onde não havia espaço para que se movessem. Lá ele agarrou-as e amarrou-as dando gritos de alegria pelo sucesso alcançado. Tão feliz se sentia que julgou indigno de si conduzir as éguas até Diomedes e para isto chamou Abderis, lhe deu a tarefa e seguiu adiante. Mas Abderis era fraco e teve medo. Não conseguiu conter as éguas que se voltaram contra ele e mataram-no, fugindo em seguida.        Hércules retomou à sua tarefa, mais sábio, preso na dor, humilde e abatido. Procurou os cavalos por toda a parte, deixando o amigo morto no chão. Prendeu novamente os cavalos e conduziu-os ele mesmo. Mas Abderis estava morto. Os cavalos foram conduzidos a um lugar de paz para serem domesticados e adestrados. O povo aclamava Hércules como libertador e salvador de suas terras. Mas seu amigo estava morto e Hércules sabia que o 1º Trabalho estava feito, e que havia uma importante lição a aprender desta tarefa antes de progredir.
   Este 1º Trabalho está relacionado ao signo de Áries que governa a cabeça, portanto é um signo mental. Todos os começos se originam no plano mental e na mente do criador. Consequentemente, é em Áries que começa a correta direção e a correta orientação de Hércules. O cavalo simboliza a atividade intelectual, o cavalo branco representa a mente iluminada do homem espiritual, o cavalo negro a mente inferior, com suas imagens falsas e errôneos conceitos humanos. O significado desta prova agora já está mais evidente,    Hércules tinha que começar no mundo do pensamento para obter o controle mental. As éguas do pensamento vinham produzindo cavalos guerreiros, que atreves dos pensamentos errados, da palavra errada e de ideias errôneas, devastavam os campos.
   Uma das primeiras lições que todo principiante deve aprender é o tremendo poder que exerce mentalmente, e a extensão do mal que ele pode causar no meio que o circunda, através das “éguas reprodutoras da mente”. Por isto ele tem que aprender o correto uso da sua mente, e a primeira coisa a fazer é capturar as éguas e providenciar para que não gerem mais cavalos guerreiros.
   Aquele que quer seguir o Caminho, basta que dedique um único dia para observar os pensamentos, observar que quase todo o tempo a maldade, o amor à fofoca e a crítica estão sendo fertilizados pelo egoísmo e a ilusão.
   Hércules compreendeu o mal que as éguas estavam causando e correu em socorro das pessoas, determinado a capturá-las, porém ele superestimou-se quando não percebeu a potência e a força que elas possuiam, tanto que as entregou a Abderis, o símbolo do eu inferior pessoal. Hércules, a alma, e Abderis a personalidade, juntos eram necessários para guardar as éguas. Sozinho Abderis não tinha força suficiente, por isto foi morto.
   Assim funciona a Grande Lei, pagamos em nossas próprias naturezas o preço pelas palavras incorretamente proferidas e pelas ações mal julgadas. Assim, uma vez mais, a alma na pessoa de Hércules teve que lidar com o pensamento errôneo, e somente mais tarde ele consegue realmente atingir o controle total dos processos de pensamento e de sua natureza.



Bibliografia: Os Trabalhos de Hércules – Alice A Bailey